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Segundo a Igreja, é errado ver filme pornô em casa?

Por Daniel Pinheiro


A Igreja segue as palavras de Jesus Cristo. Quando Jesus disse “Aquele que olhar para outra mulher e desejá-la, já cometeu adultério em seu coração” (Mt 5, 27-28), ele estava dizendo uma palavra dura, difícil, mas verdadeira. A Igreja é chamada de autoritária, mas não é. Ela não quer ter autoridade nenhuma para mudar as palavras de Jesus. Ela mantém as palavras de Jesus como são.


Seguindo essa passagem bíblica, podemos ver que, moralmente falando, é errado ver qualquer tipo de pornografia, seja fora ou dentro do casamento, mesmo com o consentimento de ambas as partes, no caso do casamento. A pornografia não tem nada a ver com amor, e sim com “usar” uma outra pessoa para o prazer pessoal e egoísta. Um casal que venha a assistir filmes pornográficos junto estará aprendendo apenas a usar um ao outro, e não a se amar.


Inicialmente, é provável que haja um aumento na quantidade e na excitação das relações sexuais, porém isso só reforçará a atitude de usar o corpo da outra pessoa para o próprio prazer, e não ver a outra pessoa como uma pessoa, completa, corpo, alma e espírito. Com o passar do tempo, será necessário uma quantidade maior, e um nível mais “pesado” de pornografia para se atingir o mesmo efeito. O nosso cérebro vai se acostumando e se condicionando com esse tipo de prazer. De repente, o casal se verá tendo necessidade de ver pornografia para poder estar juntos, o outro não mais chamará a atenção, e aí está tudo terminado. Eles não estarão mais fazendo uma relação de amor onde um é dom total para o outro, onde um quer fazer o outro feliz, mas apenas uma espécie de sessão masturbatória em conjunto, com o corpo do outro como instrumento. A relação de amor no casamento aí já terá, no fundo, acabado. Daí para a separação, o isolamento, a traição e o divórcio custará apenas mais um pequeno passo.


Moralmente falando, não há adultério somente quando um dos dois mantém relações com outra pessoa. Mesmo no próprio casamento, com o cônjuge, se a relação não for uma verdadeira entrega, se não for o sacramento da união de mentes e espíritos que deve haver, então será apenas um adultério. Neste caso, um adultério cometido não com outra pessoa, mas consigo próprio. Ao invés de ter luxúria sobre outra pessoa, tenho luxúria pela pessoa do filme pornográfico, tenho luxúria por mim mesmo – e o outro é traído porque não se trata mais de transmitir amor a essa pessoa, sou apenas eu que estou amando a mim mesmo, e usando o outro como instrumento para o próprio prazer.


João Paulo II foi muito criticado quando apresentou essa visão, nas audiências gerais do início dos anos 80 que depois resultaram na chamada “Teologia do Corpo”. Mas a compreensão do Papa foi perfeita. Adultério não é só trair o cônjuge tendo luxúria com uma pessoa de fora, seja real ou um ator/atriz pornográfico(a). Adultério também é trair o cônjuge tendo luxúria no coração, e não amor.


Por sua vez, há homens solteiros que pensam que o casamento é o cumprimento, o êxtase da pornografia. Esses homens ficam auto-justificando seu contato atual com a pornografia (sem razão), dizendo que “quando casar, não precisarei mais, porque vou fazer na vida real”. Não é assim. O casamento não tem nada a ver com pornografia. Mais do que provavelmente, um casamento assim vai acabar logo, porque o homem vai somente transferir suas fantasias para a esposa, que não é atriz pornográfica. Vai transferir suas fantasias para a relação, que não vai ser uma troca de amor, mas um “usar” o outro para o próprio prazer.


Nas palavras de Mary Beth Bonacci, uma conhecida palestrante norte-americana:
A sexualidade humana é facilmente ‘condicionada’. Quando alguém se acostuma a se ‘excitar’ de um certo modo, com o passar do tempo eles tendem a necessitar desse estímulo particular. Em outras palavras, uma vez que um homem se torna condicionado a ficar excitado usando a sexualidade impessoal e degradante oferecida pela pornografia, ele perde a habilidade de responder à expressão sexual real, normal, amorosa, e doadora-de-si-mesmo. Ele terá se condicionado a associar o estímulo sexual com o ‘usar’ outra pessoa. E isso pode significar a destruição do casamento. As esposas se sentirão usadas – porque estarão mesmo sendo usadas. Elas muitas vezes ficam culpando a si mesmas, embora não tenham culpa de nada. Certa vez li que pedir a um homem viciado em pornografia para encontrar a satisfação sexual na relação matrimonial saudável com sua esposa é como pedir a um alcoólatra para encontrar satisfação bebendo água. Simplesmente são coisas totalmente diferentes”.
(“Porn: The Marriage Wrecker, disponível em: http://www.4marks.com/articles/details.html?article_id=1521)


Portanto, atenção casais, a maneira mais eficiente de aniquilar seu casamento é se envolver com pornografia. Quanto aos solteiros, se você não quiser dar um tiro de misericórdia em seu futuro casamento antes mesmo dele começar, não se envolva com a pornografia, e se já se envolveu, procure ajuda para livrar-se dela.


Mas, como diz João Paulo II, não devemos ter medo das palavras de Jesus, assustados com a dificuldade em segui-las. Devemos, sim, acreditar que ele é o Cordeiro de Deus, que veio para tirar os pecados do mundo. E tirar os pecados do mundo é redimi-lo. Essas palavras de Jesus: “Aquele que olhar para outra mulher e desejá-la, já cometeu adultério em seu coração” (Mt 5, 27-28) são palavras de redenção, não de condenação. São um convite, mais do que uma repreensão. Um convite para o amor verdadeiro e puro, que sempre é total, fiel, livre e frutuoso. Um amor que é o desejo mais profundo de nosso coração.


A pornografia? Ela é simplesmente a antítese desse verdadeiro amor.

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