menu close menu

A roupa: tanto faz?

Por Julie Maria

 

Uma Introdução ao Estudo da Moralidade da Veste

 

Todo ato humano que usa a liberdade é um ato moral e por tanto podemos julgá-lo. O vestir é um ato moral, portanto, não é indiferente o que a pessoa escolhe, com sua liberdade, para se vestir. Não é o mesmo que vestir-se com modéstia e de modo imodesto.


“Existe, então, o problema moral do estilo (…) [e] o problema é especialmente complexo, já que o objetivo dos estilos – objetivo que em si mesmo é bom –, são facilmente torcidos pela perversa tendência de uma natureza humana, que devido ao pecado é uma natureza caída, e por isso a moda pode ser transformada em ocasião de pecado e escândalo.” Papa Pio XII


Não se trata de julgar as intenções da pessoa e sim a moda que esta escolheu usar. A roupa modesta não faz a mulher automaticamente santa, mas é coerente que a mulher que busca a santidade se vista com modéstia. Ela sabe que jamais agradará a Deus vestindo-se de maneira imodesta e, uma vez que ela reconhece a sua dignidade de filha de Deus automaticamente recusa qualquer peça em seu vestuário que possa denegrir a sua filiação divina ou a se tornar instrumento para o pecado e o escândalo.O fato de as boas e honradas mulheres estarem usando tantas vestes imodestas só demonstra o quão necessária se faz esta conscientização e quão urgente é a decisão de mudar as peças de seu o guarda-roupa.O Papa Pio XII também ensinou que: “o vestuário expressa visivelmente e de um modo permanente a posição de uma pessoa. Isso varia de acordo com sexo, idade e função social.


A unidade substancial entre o corpo e a alma exige uma coerência entre o interior e o exterior da pessoa. Além de expressar visivelmente o que ela é interiormente, a veste deve estar de acordo com o sexo, a idade e a função social da pessoa. Belo exemplo nos dá o Pontífice ao nos perguntar: “O vestuário branco de uma criança na manhã de sua Primeira Comunhão, o de uma jovem mulher no dia do seu matrimônio, não simbolizam o esplendor totalmente imaterial de uma alma que está oferecendo o melhor de si mesma?”.


Mas, hoje, na moda feminina impera a imodéstia e a Igreja pede que não sejamos indiferentes ao espírito materialista que não poupou a moda: “Mesmo se vocês não forem responsáveis por essas manifestações lamentáveis, não podem permanecer indiferentes a elas. Longe de manter a já muito forte inclinação para a imodéstia, sempre tenham o cuidado de respeitar as normas da decência e do bom gosto, de uma elegância sensatamente entendida e perfeitamente honesta.” 


O Dom da Diferença Sexual


Nossa sociedade está doente em relação à sexualidade. A desorientação neste campo é total. A massiva obra da mídia para desfigurar o homem e a mulher, criados à imagem de Deus, e colocar caricaturas em seus lugares é algo colossal. Desde os desenhos para as crianças até os filmes, novelas, livros, música, revistas, etc. tudo concorre para destruir a base da sociedade tal como foi querida por Deus: “Homem e mulher Ele os criou“. Criou-os com igual dignidade e com diferenças que os tornam complementares na obra divina. Sem a diferença sexual não existe sociedade, existe o caos. E nós estamos experimentando este caos hoje.. Por isso, reconhecer que a roupa deva diferenciar o sexo masculino do feminino é ser honesto com a realidade criada por Deus e isso implica excluir como moralmente boa ou indiferente a moda que se proclama unissex.


A moda unissex é uma das grandes armadilhas para “acabar” com a diferença sexual e, nada mais explícito para representá-la do que o conjunto “calça jeans e camiseta branca”. Como o próprio nome diz, é uma moda que estimula “um sexo”, contrariando a criação de Deus que criou o homem e a mulher, numa diferença essencial para perpetuar a espécie humana e encher o céu.



Por isso, frente ao império da moda unissex, que não poupou nem a Princesa da Espanha, não seria conveniente que a mulher católica usasse uma veste que, sem ela precisar dizer uma só palavra, transmita exteriormente que ela é chamada a ser: feminina? Como poderíamos elevar a nossa sociedade com uma simples peça, uma peça que até uma criança reconhece que é “de menina”, como a saia e o vestido? – Seria muito sacrifício para nós, mulheres, fazer algo que está ao nosso alcance para diferenciar os sexos, base da qualquer civilização?


O problema da calça, segundo o Cardeal Siri (1960) está justamente na falsa e forçada uniformização que a calça traz consigo. Vejamos o que ele diz para não pensar naquela que usa a calça, mas na humanidade:


“Quando vemos uma mulher de calça, nós deveríamos pensar não tanto nela em si, mas em toda a humanidade, de como será quando todas as mulheres se masculinizarem. Ninguém ganhará ao tratar de levar a cabo uma futura época de imprecisão, a ambigüidade e, imperfeição e, em uma palavra, monstruosidade”.



Esta futura época da qual prenunciava o Cardeal em 1960 já chegou. Estamos vivendo a imprecisão; a ambiguidade; a imperfeição. Em uma palavra, a monstruosidade.


Querer “unir” os dois sexos ou aniquilá-los é uma monstruosidade e a moda atual é usada exatamente para isso. Com a moda unissex se aniquila a diferença sexual e com a moda imodesta se denigre a mulher que é chamada no plano de Deus para educar o ser humano, e elevá-lo para que ele reconheça e viva a dignidade de filho de Deus. Também, por sua sua veste ela educa ou não.


São aberrações, trapos e pedaços de panos o que vemos sendo usado pela grande maioria das mulheres, católicas e não católicas. Tenhamos coragem para remar contra a corrente inspirando-nos nas palavras do Papa Pio XII:


“O vestuário não deve ser avaliado segundo a estimação de uma decadente ou corrupta sociedade, mas de acordo com as aspirações de uma sociedade que premia a dignidade e a seriedade da sua veste pública.”



Nossa sociedade está decadente. A moda de novela e a de Hollywood jamais serão exemplos para ser seguidos por católicos e todo aquele que se diz cristão. Não precisamos de documento da Igreja para isso. Bastam-nos os princípios da Igreja, nossa docilidade e o bom senso. Muitas das mulheres protestantes, por exemplo, confundem modéstia com camiseta ou blusa de manguinha curta e saia jeans, sem perceber que muitas vezes tais roupas revelam toda a forma do seu corpo tornando-se, assim, imodesta.


A Igreja ensina que longe da moda ser indiferente ela “(…) expressa a decisão e a direção moral que uma nação tenciona tomar: ou ser naufragada na licenciosidade ou se manter a si mesma num nível a que foi elevada pela religião e pela civilização.” O Brasil é uma Nação conhecida no mundo não pelo catolicismo (que em número é o maior do mundo), mas pelo carnaval e por praias com mulheres seminuas. Que direção, como perguntaria S.S. Pio XII, queremos tomar ou já estamos tomando como Nação?


Nós mulheres podemos ajudar a reerguer a Nação ou piorar a situação. Uma maneira muito simples de elevá-la é deixar as calças para os homens e vestir roupas tipicamente femininas.


Saia Modesta: qual o comprimento certo?


Uma vez evidente que a calça não ajuda a diferenciar o sexo e por isso deve ser excluída do guarda-roupa feminino, e que a moda imodesta é condenável, fica a questão da saia e do vestido: qual é o comprimento ideal?


Sabemos que a mini-saia, no século XX, foi utilizada como sinal da “libertação feminina” como relata um site mundano: “na década de ‘60 (…) a imagem da mulher começou a ser dramaticamente modificada de esposa e mãe para ser a jovem, solteira e despreocupada garota orgulhosa de sua sexualidade e confiante em seu poder. A mini-saia iria expressar – e servir como instrumento – para este movimento que nascia da mulher”.


Então, entre a mini-saia – que automaticamente é condenada como imodesta-, e a saia até o tornozelo aparecem mil opiniões diferentes sobre até onde poderia subir o comprimento da saia e continuar modesta.


Entre o tolerável e o ideal existe uma expressiva diferença. O ideal é a saia longa, chamada também de “maxi”, que cobre toda a perna. O tolerável seria a saia abaixo do joelho de forma que não mostre a coxa ao se sentar que, além de imodesta é super incômoda para a mulher ao andar, sentar e se movimentar, como, também, se vê nesta foto da Princesa Letizia da Espanha.


Mas a pergunta que devemos nos fazer é: porque usar uma saia que mostre alguma parte da perna? Qual a intenção que temos em revelar uma parte da nossa perna? Mais uma vez a pergunta não é se “é pecado ou não”.  A pergunta é se convém à mulher mostrar alguma parte de sua perna, pra quê ela o faz e que benefício isto lhe proporciona.


Certa vez, não lembro onde, li que uma mulher, ao tempo em que começaram a subir os centímetros da saia longa, foi contra e disse algo assim para justificar sua postura: “sou contra porque quando se tira um centímetro, também, tirar-se-á 10, ou 40.” E foi exatamente assim que a saia chegou a ser “mini”.


Uns, para refutar o ideal da saia longa dizem que, antigamente, o tornozelo à mostra já era suficiente para excitar aos homens. Mas hoje, com o biquíni sendo visto como algo normal, o que uma saia pela metade do tornozelo irá causar? –Nada! Mas não é olhando a apatia em que chegamos hoje, frente à imoralidade, que devemos nos pautar para escolher o ideal de uma veste – que predominou em todo o Cristianismo – e sim na dignidade que nos foi dada a partir da Redenção de Cristo. Isso já nos ensinou o Papa Pio XII, como se constata no início deste artigo.


Sem dúvida “as pessoas querem ser guiadas pelo estilo mais do que em qualquer outra atividade. Não é que elas não tenham um senso crítico em matéria de estética ou propriedade, é que, às vezes, são dóceis e até mesmo preguiçosas demais para fazer uso desta sua faculdade, daí terminam por aceitar a primeira coisa que lhes são oferecidas e só mais tarde se dão conta do quão medíocres ou indecorosas certas modas são”.



Quem deseja fazer ou faz apostolado sobre a modéstia deve ter este cuidado, este zelo, pois se tornam guias para outras que estão se despertando para este tema. Eu mesma, no início, fiquei confusa ao encontrar sites que, apesar do nome, não refletem a elegância e a modéstia cristã. Não existe forma de compactuar com a roupa “da moda” atual e servir à modéstia. Uma exclui a outra. E para quem quer defender a imodéstia usando o falso argumento de que “cada cultura e cada tempo tem suas diferenças”, o Papa Pio XII responde afirmando que tem “limites absolutos a defender frente ao relativismo dos estilos”:


“Quando falamos dos limites absolutos a defender frente ao relativismo dos estilos, mencionamos o infundado caráter de outra opinião falaz, segundo a qual a modéstia não é mais apropriada na era contemporânea, que se tornou agora livre de todos estes inúteis e ruinosos escrúpulos.”


Se tivéssemos um apostolado sério, no tempo em que eu e todas as mulheres da minha geração usávamos calças e roupas imodestas, quem sabe Deus não o teria usado para poupar tantos anos que usamos estas peças, ridicularizando-nos e ainda fazendo pecar a muitos dos nossos irmãos?


Para que eu deixasse de usar calça e roupas imodestas, foi fundamental, além da primazia da graça e misericórdia divina, o testemunho eloqüente de uma mulher que transmitia em seu vestir toda a sua feminilidade e que se tornou uma grande amiga (foto). Depois é que começamos a buscar os documentos da Igreja sobre este tema e graças a um zeloso sacerdote tive contato com o livro “Papal Teaching, The Woman in the Modern Word”, uma recopilação que os monges Solesmes fizeram dos discursos papais no tema da mulher no sé e muitos dos discursos papais foram traduzidos e colocados à disposição neste site. Hoje temos muito mais conhecimento do que antes e por isso, nossa responsabilidade também aumenta. Muito nos foi dado. Muito será cobrado.


Cada mulher católica deve responder a Deus sobre a escolha de sua veste. O que estamos fazendo aqui é alertando e dando alternativas e fundamentos para quem já quer mudar e não sabe por onde começar.


Que Nossa Senhora, Modelo de Feminilidade e Modéstia, rogue por todas nós!

Share This:

Comments Off on A roupa: tanto faz?