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Nossa Senhora, exemplo perfeito de modéstia

Por Luciana Lachance


Nossa Senhora, exemplo perfeito de modéstia


Pode-se afirmar que a mulher, “olhando para Maria, nela encontrará o segredo para viver dignamente a sua feminilidade e levar a efeito a sua verdadeira promoção.” JPII



Quando dizemos que Nossa Senhora é exemplo perfeito de modéstia, queremos dizer não apenas que Ela foi modesta como nenhuma outra jamais foi ou será, mas estamos precisamente dizendo que Ela é a modéstia por excelência, i.e., não é Maria Santíssima quem encarnou os atributos da modéstia, mas foi Ela quem deu razão para que os atributos existissem.



O exemplo de Nossa Senhora é perfeito porque perfeita é a Mãe de Deus, e como Suas filhas devemos seguir a Sua modéstia, e não a modéstia dicionarizada ou a modéstia contemporânea fora de seu contexto católico. É esta modéstia – e nenhuma outra que não seja por Ela, ou para Ela – que nos manterá na salvaguarda de nosso corpo, onde habita Deus[1], e de sermos ocasião próxima de pecado.



Alguém poderá dizer: “Que absurdo eu ser modesta como Nossa Senhora! Certamente jamais conseguiria tal coisa!”, e com isso nós concordaríamos facilmente, uma vez que ninguém pode ser como Nossa Senhora em nenhum aspecto, posto que uma agulhada numa roupa dada por Maria deu mais glórias a Deus que todas as obras e sacrifícios de todos os santos que já existiram.[2] Mas como o próprio Deus nos exortou a ser santos como Ele (“Sede santos como vosso Pai Celestial é santo” Mt 5, 48), entendemos com isso que temos a obrigação de buscar a santidade, embora não possamos ser como Deus. E como aquele que busca está naturalmente atrás (poderíamos dizer abaixo) de algo, foi-nos dado o exemplo de realmente buscar Deus, que é perfeito (coisa que jamais seremos) e não alguém santíssimo, porém humanamente viável – pois se nosso exemplo fosse humano, não teríamos os santos grandiosos que temos.



A história de todos os santos é uma história dessa busca pela santidade de Deus, que em si mesma sendo inalcançável, pela graça redentora torna-nos possível participar dela. Os santos tiveram certamente como exemplo, outros grandes santos e santas atrás deles, mas apenas porque esses também buscaram a Deus e lhe facilitavam o caminho nessa mesma busca. Por isso eles foram santos.  E se nós quisermos ser modestas, teremos de buscar aquela que é a pura modéstia, Nossa Senhora, e não faremos isso nos justificando a todo o momento de que não é possível ser como Ela. Já sabemos disso. Nossa obrigação permanece: como ser santo é a recompensa de quem busca a Deus, ser modesta é a de quem busca Nossa Senhora.



Mas o que significa dizer que Nossa Senhora é mesmo nosso modelo de modéstia? Será que é por acaso apenas usá-La como inspiração nas nossas orações, enquanto para a nossa conduta moral vamos atrás das celebridades das novelas e de Hollywood? Quais são nossos reais entraves para tê-La como modelo? Será que ao falar das modas e das roupas adequadas a uma cristã, a impossibilidade é a de cobrir “muito o nosso corpo ou é a nossa impossibilidade – construída pelo apego de longos anos – de nos enxergar numa imagem totalmente diferente da “mulher ideal” apresentada em nossos dias?



Sim, porque a mulher imodesta de nossos dias não se restringe àquelas que usam micro-comprimentos, mas sobretudo, a que deseja ser eternamente jovem, cujos braços estão à mostra numa regata que tampouco cobre completamente a sua barriga, e cujo complemento é quase sempre uma calça jeans ou uma saia acima dos joelhos; ou aquela que veste terninho em alguns trabalhos, que usa vestidinhos de alcinha em outros, que deixa o sutiã aparecer e que usa biquíni ou maiô na praia.



Não é exatamente isso o que as católicas, de uma maneira geral, estão usando? Mas se o mundo hoje não é mais influenciado pela Civilização Cristã – mas a odeia de morte – não é contraditório achar que a Moda deste mundo produziu tantas coisas para serem usadas pelas católicas, sem ferir a modéstia?  Se a moda atualmente é produzida (pensemos nos estilistas, nos patrocinadores, nas grifes, nos modelos de beleza) apenas por pessoas sem qualquer valor evangélico, como acreditar que essa mesma moda atenda às necessidades da mulher católica, que precisa defender a sua pureza? Ou o mundo não é mais mundo ou estas mulheres católicas querem forçadamente igualar moda mundana com moda modesta, como se fosse possível agradar a Deus e a satanás.



Se a moda, como pretendem alguns, fez tantas roupas que estão aí para serem usadas pelas católicas que têm Nossa Senhora por modelo, então por que a idéia de ver Nossa Mãe vestida com esses trajes da moda atual nos aterroriza? Por que nos sentiríamos ofendidas se víssemos uma imagem de Maria usando calças ou regata? Não apenas diríamos que isso estaria inadequado ou que não haviam calças na época de Nossa Senhora, mas sentiríamos verdadeiro furor. No entanto, alguma de nós fica indignada ao ver Nossa Senhora de Dong Lu vestida de maneira tão diversa da que estamos acostumadas? Não.  Então, no fundo, sabemos que grande parte do que a moda atual comercializa – consumida pela grande maioria – é mesmo indigno da mulher católica; não só porque é indigno de vestir uma Rainha, mas porque indigno moralmente



Lembramos que as católicas antes de nós não chegaram até o século XX com determinado padrão dos comprimentos das roupas por feliz coincidência, ou porque nenhuma delas quis “interpretar” os princípios morais da Igreja de maneira divergente. Séculos se passaram – com suas extravagâncias, com seus decotes condenáveis – mas um padrão de modéstia na veste feminina se manteve (tal como podemos verificar facilmente em qualquer história da moda) porque regras foram rigorosamente estabelecidas e seguidas.



Hoje algumas católicas sentem verdadeira frustração por terem de mudar a sua imagem de maneira tão radical, e sofrem porque não entendem que padrão de modéstia é esse que precisa ter todo o corpo “tapado”. Uma vez que as pessoas foram tão despidas, e que a maioria das filhas de Nossa Senhora usa roupa de praia sem maiores constrangimentos, parece inexplicável ter que aumentar o tamanho de uma manga ou de uma saia. Mas se a mulher católica admite que os princípios da Igreja para a modéstia não mudam, e apesar disso escolhe um vestido de alcinhas para casar e comungar, então ela está ridiculamente contradizendo a si mesma afirmando que segue os mesmos princípios de uma católica piedosa do século VI ou do século XVII.



Podemos admitir que éramos ignorantes e não nos era conhecido o fato de que andávamos por aí de maneira escandalosa, apesar do intuito de sermos boas pessoas, ou podemos passar o resto da vida sendo ocasião de pecado e completamente empedernidas no objetivo de tornar modestos todos os modelos aos quais estamos apegadas.



A exortação de ter Nossa Senhora como modelo de modéstia não é apenas uma sugestão piedosa, ela é uma obrigação moral, pois se somos católicas devemos imitar Nossa Mãe em tudo. Nossa Senhora deve e de fato serve de exemplo a todas as vocações femininas, pois se tendemos a pensar Nela apenas como contemplativa, silenciosa, em constante oração (e rapidamente A associamos com a vida de religiosa ou consagrada), nos esquecemos de que Nossa Senhora foi esposa, mãe e rainha do lar. E como esse papel foi duramente atacado nas últimas décadas, já não podemos conceber a maternidade como a Igreja nos ordena, mas colocamos em seu lugar a imagem de que a mulher casada tem a constante preocupação de manter a aparência em disputa com as demais, como se para manter o casamento ela precisasse sempre estar no “páreo”.



Tragicamente, dizemos que a mulher casada não “pode” estar tão modestamente vestida, como se nossas obrigações de ser uma digna esposa e cuidar dos filhos exigisse menor quantidade de pano. A vocação da mulher casada foi transfigurada porque antes a própria mulher o foi; o matrimônio se transformou num espaço que legitima a conduta de tantas mulheres que reproduzem o estilo de vida antes reservado àquelas que escolhiam a perdição: preocupação constante de não engravidar, de não envelhecer e de realizar desejos sexuais. Quantas de nós já não repetiram a infame máxima de que se quiséssemos ser “puras” teríamos virado freiras?



Mudar com vistas à verdadeira modéstia é também o desafio de superar essa terrível imagem, pois muitas são as que desistem da mudança por não querer perder o interesse do cônjuge. Elas têm medo de perder, na terra, algumas falsas “prerrogativas”, mas não temem arriscar a eternidade. Não seria mais prudente ajudar também o seu  esposo a purificar o seu olhar e juntos serem um autêntico casal católico?



Por fim, é bastante lamentável que algumas católicas estejam tão ávidas em afirmar a impossibilidade de cobrir “tanto” o corpo como Nossa Senhora, contradizendo o clássico testemunho de tantas santas que assim o fizeram em 2000 anos de civilização cristã. No momento de fazer tal reivindicação, as católicas do século XXI reclamam do sol ou do vento, do trabalho, dos esportes radicais e acusam de puritanismo qualquer menção da necessidade de pudor na veste. Mas não se trata simplesmente de aumentar arbitrariamente o tamanho das mangas ou saias, mas antes de tudo, de tomar consciência das transformações pelas quais passamos, não só na moda, mas de toda uma concepção do papel feminino no mundo. Se algumas dessas transformações foram violências cometidas contra o nosso pudor e a nossa religião, nós temos o direito de saber e a obrigação de reagir.



Sim, nós usávamos biquíni desde que nascemos, mas uma vez que sabemos a história monstruosa por trás desse costume, não podemos passar os próximos anos em abstinência, para a glória de Deus? Recebemos esta graça e acaso vamos jogá-la fora porque hoje a sociedade nos diz que tudo foi superado? A mesma sociedade que legitima o aborto, o divórcio, a imodéstia e tantas coisas mais? O que é isso? Estamos no cúmulo da mediocridade traindo a nós mesmas?



Para aquelas que enfrentam tantas dificuldades na hora de mudar, mas que estão sinceramente empenhadas em fazer a sua parte para ter Nossa Senhora como modelo absoluto de modéstia, eu indico o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, e também o texto Da obrigação de tender a perfeição, de Adolph de Tanquerey[3]².  Se o seu desejo de seguir a moda é forte e está atrapalhando a sua mudança, o tratado ensina como “trocar de vontade” com Maria, de maneira que tudo pode ser entregue nas mãos de quem certamente fará infinitamente melhor para Deus. E se ainda assim a sua vontade quer estacioná-la no caminho de santidade, o texto de Tanquerey nos relembra que “se deixamos de fazer esforços por avançar, os nossos vícios acordam, retomam forças, atacam-nos com mais viveza e freqüência. (…) O meio mais eficaz para assegurar a salvação da alma, é tender à perfeição, cada um segundo o seu estado”.



São palavras que nos exortam no que toca nossa grande responsabilidade de buscar o Céu e fazer uso do sacrifício que Nosso Senhor fez na cruz, pois por vezes nos esquecemos de como esse caminho é árduo, e por isso flertamos com o perigo ou com a moda, como diz o Papa[4].



Como ensina São Luis Maria Grignion, esse caminho será suavizado com Nossa Senhora, por todas as graças que Ela derramará nas nossas vidas, caso desejemos estar inteiramente submissas ao Seu sacratíssimo exemplo.



 






[1] “Vocês que piedosamente vestem o altar e o sacrário nunca devem esquecer que carregam Deus dentro de si pela habitação da graça em suas almas. Essa presença divina faz não só suas almas, mas também seus corpos, templos sagrado”. S.S Pio XII




[2] Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. São Luis Maria Grignion de Montfort





[4] “Queremos insistir de uma maneira especial, porque, por um lado, sabemos que certos estilos de vestuário que estão começando a ser aceitos pelas mulheres são provocadores do mal, e por outro lado nos causa espanto ver que quem favorece o veneno parece ignorar a sua ação maléfica, e quem incendeia a casa parece ignorar a força destruidora do fogo. Mas somente a suposição de tal ignorância torna explicável a infeliz extensão que teve em nossos dias uma moda tão contrária àquela modéstia que deveria ser o mais belo ornamento da mulher Cristã”. S.S Bento XV



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