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Modéstia na Praia

 

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Por Julie Maria


Eu espero que logo chegará o momento em que haverá uma parte das praias  especialmente segura para as famílias cristãs poderem descansar, relaxar, e se divertir sem colocar em perigo sua pureza e a dos outros. Imagino que quando os católicos se unirem contra a destruição da sua fé na esfera pública, as autoridades se verão obrigadas a oferecem um lugar moralmente saudável para que todos os católicos que desejarem, possam usufruir de um dos mais belos presentes da criação de Deus, que é o mar!


Enquanto isso não acontece, também por nossa omissão e lentidão, cada um deve fazer sua parte ajudando a elevar o nível moral nestes lugares, onde prevalece o nudismo. O antigo poeta Cícero resumiu o problema das praias modernas com uma frase: “após o nudismo público necessariamente vem o vício”[1]. Por isso, desde que reinou o Cristianismo na vida civil, os banhos públicos eram separados, para homens e mulheres, e estas se vestiam muito modestamente para tais ocasiões. Todos os cristãos estavam unidos na opinião de que casas conjuntas de banhos iriam dar lugar aos vícios, e por isso, se sacrificavam por um bem maior: o bem comum e sua salvação.  A Igreja, que cuida da nossa alma, deu-nos critérios bem específicos para irmos à praia. O I Sínodo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (1949) diz no seu Art. 499:



“A freqüência a praias ou piscinas públicas não pode deixar de ser veementemente condenada como atentatória à moral, salvo quando houver a possibilidade de conciliar-se:
a) lugar discreto, ou hora não frequentada indistintamente;
b) traje decente;
c) companhia escolhida, e nunca mista.”



O Papa Pio XII num discurso às meninas da Ação Católica lhes disse que era dever do Presidente deste apostolado “ensinar a vocês que, antes de vestir algo vocês devem se perguntar o que Jesus Cristo acharia desta roupa; eles também irão prevenir de como, antes de aceitar um convite vocês devem considerar se o seu protetor celeste e invisível poderá vos acompanhar sem tampar seus olhos com suas asas; eles irão te dizer quais teatros, quais companhias e quais praias evitar; eles irão te mostrar como uma garota pode ser moderna, atualizada, esportiva, cheia de graça, naturalidade, e distinção, sem cair nas vulgaridades de uma moda enferma, mas preservando um aspecto que não conhece artífice como o refletido pela alma, uma aparência sem sombra, quer interior ou exterior, mas sempre reservada, sincera e franca.” [2]


Mas parece que estas palavras soam estranho nos ouvidos de hoje e que pedir algum tipo de sacrifício para o católico hoje é “proibido”. Parece que nós esquecemos que “o bem da nossa alma deve ter precedência sobre o nosso corpo, e ao bem do nosso corpo nós devemos preferir o bem da alma do nosso próximo”.[3] Se é verdade que uma roupa mais “cômoda” pode facilitar o banho, antes deste critério devemos perguntar se esta roupa “facilita” ou “dificulta” a vivência da pureza. Somos obrigadas a rejeitar qualquer roupa se ela incentiva a impureza.


Não é lícito estar nua ou quase nua com a justificativa de buscar um “falso equilíbrio” frente às opções que a moda mundana apresenta para a mulher se vestir na praia. Se temos como referência o biquíni, facilmente o maiô pode se tornar modesto, por cobrir parte da barriga. Mas nenhum dos dois é modesto, apesar do maiô cobrir “um pouco mais” o corpo da mulher.[4]


Para entender isso, temos que saber que existe a imodéstia pela exposição da carne (e o maiô, ainda assim, não cobre as partes íntimas da mulher, pois seu bumbum fica de fora, e muitas vezes seus seios) e a imodéstia pela exposição da forma. Ambas exposições devem ser evitadas pela mulher modesta, que quer “agradar a Deus antes que aos homens”.


Imagine se colocamos três mulheres atrás de uma tela, de tal maneira que apenas vejamos sua “forma”, sua “sombra”, e uma delas está nua, a outra de biquíni e a outra de maiô. Se um homem olhar a tela, por alguns segundos, irá pensar que todas estão nuas: todas revelam toda a forma da mulher. Por isso ambos – biquíni e maiô – revelam toda a forma mulher, sendo portanto imodestos.


O que disse a Igreja em 1954 citando o filósofo Sêneca “…se é que se pode chamar veste feminina algo que não contenha nada para proteger o corpo ou a modéstia” [5], vale também para nossa reflexão sobre a veste na praia.


Não nos iludamos. A praia, tal como está hoje, não é um lugar onde reine Deus, e como recordou a Igreja ao falar sobre a reforma moral (que inclui a modéstia no vestir): “o que estamos discutindo aqui é muito sério, já que tem uma importância vital não somente para a virtude cristã, mas também para a saúde e vigor de toda a sociedade humana.[6]


Queremos que Deus reine na nossa sociedade, nas nossas praias, nos nossas festas e formaturas ou queremos, como os pagãos desejam, que O adoremos “apenas dentro dos nossos templos”? Não somos nós aqueles que Nosso Senhor chama para ser luz do mundo? Como seremos luz se estamos todos apagados, escravos da moda mundana? Comecemos sendo luz com a modéstia no nosso vestir. Sem dizer uma palavra, pelo simples fato de nos vestirmos com modéstia – também na praia – estaremos fazendo nossa parte para que Cristo reine de fato na Igreja, e em todo lugar!


O católico não vai para a praia para “mostrar seu corpo ou seu bronzeado”. Ele vai para ter um momento saudável de diversão e relaxamento. Como é bom ler um livro sentada na beira da praia, vendo o por do sol… ou brincar com os sobrinhos na areia! É preciso rever nossas intenções, tanto no que se refere a ida à praia quanto aos modos de se vestir para a ocasião. Se vamos para a praia com reta intenção,  estes modelos não poderiam nos inspirar?


Há 60 anos o Vigário de Cristo disse algo que pode iluminar esta nossa meditação: “É supérfluo relembrar como o rádio e o cinema têm sido usados e abusados para a difusão do materialismo, ou quanto estes, junto com os maus livro, revistas pornográficas ilustradas, apresentações impuras em palcos, a dança imoral, e a imodéstia nas praias, tem contribuído para o aumento da superficialidade, do mundanismo, e da sensualidade na juventude.[7]


Quem pode negar que esta imodéstia nas praias acontece hoje, bem na nossa frente? Quem pode negar a imensa dificuldade – ou até impossibilidade – de um homem, buscando a pureza, se preservar na lama da imodéstia com mulheres praticamente nuas nas praias? Como disse um irmão na fé: “se um homem ou uma mulher estiverem vestidos com suas roupas íntimas somente, e alguém entrar de repente no recinto, a primeira coisa que esse homem ou essa mulher faz é correr para esconder a intimidade. Na praia, as roupas de banho que se usam são quase do mesmo tamanho e expõem o corpo praticamente da mesma forma que nossas roupas íntimas (e não estou citando os fios-dentais…). Então, por que o ambiente muda tanto nossa visão acerca da nossa intimidade exposta?”


O que “todo mundo faz e veste” não é critério para quem quer seguir a Jesus Cristo e ser santo! Por isso as críticas que recebemos ao nos vestir com modéstia deveria ser motivo de alegria para nós, jamais de desânimo!



Tanto fora da praia como nela, devemos ter forte o sentido do pudor, que num sentido amplo é a “tendência inata de zelar por tudo o que pertence à intimidade pessoal, defendendo-o de qualquer intromissão inoportuna. Nada mais natural, já que a intimidade de por si, vela-se, protege-se e esconde-se no seu mistério. A rigor, o que é “íntimo” identifica-se com o que é “pessoal”. […] Há coisas tão íntimas que ao tornar-se público esvai-se, perde valor, e a pessoa sente-se de certo modo violentada. É como se uma parte de si mesma de despedaçasse e se perdesse no exato momento em que caiu no domínio público.” E a mesma autora explica: “Quanto mais rica é uma personalidade mais precisará de privacidade, tanto maior amplidão e valor terá a sua intimidade. São estes os casos em que o senso do pudor é mais forte. As pessoas frívolas, pelo contrário, aquelas que se revelam carente de uma autentica vida interior, estão mais inclinadas a tornar pública a sua intimidade. Na sua pobreza moral, consideram-na coisa de pouco valor. Embora sejam egoístas, não se apreciam pelo que valem; não tem escrúpulos em expor-se à curiosidade igualmente frívola daqueles que somente se interessam por assuntos vazios e inconsistentes. [8]


Se o Papa em 1941 disse que se as mulheres cristãs se dessem conta das tentações e quedas que causam aos outros por sua maneira de vestir… ficariam chocadas com sua responsabilidade”, quanto mais nós temos que nos questionar hoje, ao olhar a “moda praia”! E para que ninguém fique com dúvidas da nossa enorme responsabilidade, frente a qual responderemos ao Justo Juiz, termino com esta exortação de alguém que estava interessado na nossa salvação eterna, e não apenas em algum passatempo divertido, por mais prazeroso que possa ser:


“Nós devemos salvar as nossas almas e as de nossos irmãos. Hoje o perigo é com certeza maior, porque os meios de excitar as paixões, antes bem restritos, têm se multiplicado enormemente… [Devemos] combater a imoralidade no campo da moda e do vestir, da saúde e do esporte, no campo das relações sociais e do entretenimento… É realmente um combate. A pureza das almas vivendo no estado da graça sobrenatural não é preservada e não será preservada, sem o combate. [9]


Que Nossa Senhora, Modelo de Pureza, interceda por nós neste árduo combate.



[1] Carta da Congregação do Concílio aos Bispos, 15.8.54


[2]S.S Pio XII 6.10.40


[3]S.S. Pio XII 22.5.41


[4] Rápido “histórico do biquíni”: a criação do biquíni é disputada por dois estilistas franceses, Jacques Heim e Louis Réard. O primeiro apresentou a “peça” como o “menor maiô do mundo”, e o segundo, por sua vez, apresentou sua versão do biquíni como “menor que o menor maiô do mundo”. (vale lembrar o óbvio: o biquíni de lá pra cá diminuiu muito) Ora, o biquíni, então, não é apenas um biquinho hoje, ele é mais reduzido que o menor do menor maiô do mundo, lá pelos anos 50. E se chama biquíni porque “seu nome se deriva do atol de Bikini, um atol do pacífico onde se deu, em 5 de julho de 1946, uma explosão atômica experimental. Assim, pretendia-se propor que a mulher de biquíni provocava, na época, o efeito de uma “bomba atômica” (Wikipedia).


[5]Idem


[6] Idem


[7]S.S Pio XII “The Cause of Evil”, 24.7.49


[8]Ada Simoncini, Pudor, Ed. Quadrante


[9]S.S. Pio XII 22.5.41

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