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Moda Imodesta e Unissex: pode agradar a Deus?

Por Julie Maria


Em vários blogs, internacionais e nacionais, está ocorrendo um frutuoso debate sobre a veste feminina e eu espero que, com a graça de Deus, isso despertará muitas pessoas sobre as nefastas conseqüências da moda imodesta e da moda unissex, não só para nós mulheres, mas para toda a sociedade.


Estamos tão imbuídos da moda mundana – que ou masculiniza ou prostitui a veste da mulher[1] – que não é fácil ver “com os olhos de Deus” e buscar o que Lhe agrada e o que é perfeito neste campo.



Como não somos maniqueístas sabemos que alma e corpo formam uma unidade substancial e para que a pessoa esteja pura ambos – alma e corpo – devem estar puros. Se não, que sentido teria em oferecer o nosso “corpo” (matéria) em “sacrifício vivo” agradável a Deus num culto espiritual (Rm 12, 1)? Por isso a forma de vestir (o exterior-matéria) entra no campo moral e jamais deve ser separada dos valores do Reino (interior – espiritual), entre os quais pureza e modéstia são imprescindíveis.[2]


São Paulo continua este versículo de sua Carta aos Romanos (que viviam no paganismo como nós!) dizendo que os cristãos “não devem se conformar com este mundo”. Trazendo este pensamento para o nosso tema, qual é a moda do mundo? Não seria a moda imodesta e unissex?


Nossa geração está sofrendo os piores ataques ao dom da sua masculinidade e feminilidade de toda a história, e aqueles que foram instrumentos deste plano bem sabiam que depravando a moda alcançariam seus objetivos. Uma fã de Anni Londonderry resumiu de forma brilhante este objetivo ao dizer que “a reforma do vestir não era simplesmente uma simples questão de adaptação prática; invocava e desafiava as percepções de feminilidade e se tornou um controvertido tema moral.”[3]


Se na base do plano divino está a diferença sexual a ser acolhida como um dom, quem mais além do pai da mentira estaria empenhado em destruí-la usando para isso a moda unissex? E se Deus nos criou para a pureza, quem mais do que o pai da mentira estaria empenhado em uma moda imodesta? Será que é difícil ver que moda atual “em vez de elevar e enobrecer a pessoa humana (…) tende a degradá-la”?[4]


É preciso abrir os olhos e o coração e reconhecer o óbvio: a moda atual, mostrada nas revistas, novelas, cinema, etc. não serve para o católico usar. Temos que ser corajosos, astutos como os “filhos do mundo”, mas puros como os anjos e contra-revolucionar a moda, redirecionando-a para o Bom, o Belo e o Verdadeiro: não sabeis que fostes comprados por um magnum preço?


Em todos os tempos e culturas, a moda jamais será o critério último para o vestir da mulher cristã:


“Mesmo seguindo a moda, a virtude está no meio. Aquilo que Deus pede é recordar sempre que a moda não é, nem pode ser a regra suprema da conduta; que acima da moda e de suas exigências existem leis mais altas e imperiosas, princípios superiores e imutáveis, que em nenhum caso podem ser sacrificados ao talante do prazer ou do capricho, e diante dos quais o ídolo da moda deve saber inclinar a sua fugaz onipotência. Estes princípios foram proclamados por Deus, pela Igreja, pelos santos e pelas santas, pela razão e pela moral cristãs, assinalados limites, além dos quais não florescem lírios e rosas, nem pairam nuvens de perfumes da pureza, da modéstia, do decoro e da honra feminina, mas aspira?se e domina um ar malsão de leviandade, de linguagem dúbia, de vaidade audaz, de vanglória, não menos de espírito que de traje.”[5]


Será que os estilos “unissex” e “imodestos” não podem ser consideradas estes limites, frente aos quais “o ídolo da moda deve saber inclinar a sua fugaz onipotência”? Não são estes estilos contrários ao dom da masculinidade e da feminilidade que Deus nos deu e o chamado à pureza? Ambos os estilos nos “conformam” com este mundo, mas jamais nos conformam com a imago Dei que somos!


Se o Papa em 1941 disse que muitos estilos queriam enfatizar aquilo que deveriam cobrir, o que diremos dos estilos de hoje?[6] É verdade que “algumas mulheres podem dizer que uma forma de vestido é mais conveniente ou até mais higiênica; mas se ela se torna uma ocasião grave e próxima de perigo para a alma, então com certeza não é higiênica para o espírito e você deve rejeitá-la.”[7] Além disso, “o bem da nossa alma deve ter precedência sobre o nosso corpo, e ao bem do nosso corpo nós devemos preferir o bem da alma do nosso próximo”. [8] E o Papa Pio XII termina este ensino fazendo uma pergunta muito mais pertinente para a nossa atualidade, quando muitos católicos não sabem diferenciar tais modas: “Vocês não percebem que existe um limite sob o qual nenhum exagero da moda pode ultrapassar, aquele limite no qual a moda se torna uma carga de ruína para sua própria alma e para a alma dos outros?[9]


É muito triste ver católicos minimizando a importância moral da veste, pois não conseguem ver que quando a Igreja nos guie nesta matéria não significa que ela “mutile” a nossa criatividade. Ao contrário: ela nos permitirá usá-la sem medo de ofender a Deus e de ser motivo de escândalo para o outro! Não nos iludamos: pela moda uma nação mostra para onde se dirige, para o céu ou para o inferno. Nas palavras do Papa Pio XII: “A moda expressa a decisão e a direção moral que uma nação tenciona a tomar: ou ser naufragada na licenciosidade ou se manter a si mesma num nível a que foi elevada pela religião e pela civilização.”[10]


E se o homem deve guardar os seus sentidos na luta pela pureza, a mulher neste campo tem uma obrigação moral ainda maior, pois ela é a educadora do homem por excelência. Deus a fez assim: “auxiliar adequada” para ele, mãe biológica e espiritual, formadora de santos, pois através dela o bebê entra no mistério de Deus.


Mas se hoje as mulheres católicas não suspeitam mais de suas modas imodestas o que podemos esperar da geração futura? Se elas perderam “o instinto da modéstia”, onde as crianças e os jovens encontrarão referência para si mesmos e suas futuras famílias? Muitas se “entregam às tirania da moda e correm em direção aos perigos que podem significar a morte de sua pureza”.[11]


Ser luz e sal da terra não é fácil. Exigirá o sacrifício de todo o nosso ser, e também o sacrifício de se vestir com modéstia por isso a pergunta é esta: Queremos ou não ser santos? Queremos ou não agradar a Nosso Senhor, autor da Pureza e à Rainha da Pureza? Se Nossa Senhora em 1917 disse que “viriam modas que iriam ofender muito a Nosso Senhor”, e se a Igreja nos ensina que nenhum sacrifico é “grande demais” para guardar a pureza, o que freia alguns católicos de lutarem com todas suas forças em favor da modéstia? Não podemos ter medo de nos perguntar se é apego ou ignorância, ou ambos. Para ambos temos na Confissão e na Eucaristia a Medicina celeste que nos cura e nos ajuda a querer “ver como Deus vê”. E a visão de Deus é diferente da visão do mundo. Já dizia São Tiago (Tg 4,4): “todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”


E “se, como pretendem alguns, uma moda audaz não faz sobre elas impressão alguma, que sabem da impressão que os outros terão? Quem lhes assegura que outros não tenham disto um mau incentivo? Não se conhece o fundo da fragilidade humana, nem de que sangue de corrupção sangram as feridas deixadas na natureza humana pela culpa de Adão com a ignorância no intelecto, com a malícia na vontade, com a ânsia do prazer e a debilidade para o bem, árduo nas paixões dos sentidos a tal ponto que o homem, como cera amoldável ao mal, “vê o melhor e o aprova, e ao pior se apega”, por causa daquele peso que sempre, como chumbo, o arrasta para o fundo. Sobre isso justamente se observou que, se algumas cristãs suspeitassem as tentações e quedas que causam em outros com vestes e familiaridades a que, em suas leviandades, dão tão pouca importância, teriam pavor de suas responsabilidades”.[12]


Se numa outra época, a moda que “todos usavam” podia ser tida como adequada para os católicos, hoje não é mais assim. A moda atual chegou a um nível tão decadente que não podemos nos espalhar nela para nos vestir, e mesmo assim muitos ainda insistem num “falso equilíbrio” que possa satisfazer o mundo e a Deus. Não é justamente isso que busca a moda unissex e imodesta?


E se em outras épocas históricas o cristão não tinha obrigação de se diferenciar dos outros cidadãos, a nossa era de depravação nos obriga a nos diferenciar porque “o vestuário não deve ser avaliado segundo a estima de uma sociedade decadente ou corrupta, mas de acordo com as aspirações de uma sociedade que premia a dignidade e a seriedade da sua veste pública.”[13] Como estamos numa sociedade corrupta e decadente – alguém negará? -, fica clara a urgência deste apostolado que devemos fazer neste campo, começando por nos questionar a quem queremos servir!


A anulação da diferença sexual com a moda “uni-sex”, e a moda imodesta são seduções que a mulher católica moderna deve saber dizer “não”. Um não contundente: “Enquanto alguns audaciosos modelos de vestidos continuam sendo um triste privilégio de mulheres de dúbia reputação nenhuma mulher terá coragem de vesti-los: mas no momento em que eles forem usados por pessoas irrepreensíveis, ela não hesitará em seguir o costume, um costume que irá levá-la talvez para as piores quedas.”[14]


Não queiramos fazer parte daqueles que “favorecem o veneno [e] parece ignorar a sua ação maléfica, e [daqueles] que incendeiam a casa [e] parecem ignorar a força destruidora do fogo[15]! Queiramos fazer parte da Cruzada pela Modéstia!


Na luta a favor da modéstia e da pureza no vestir, a Igreja sempre confia na misericórdia de Deus e na intercessão da Mulher mais modesta e mais pura que existiu, Nossa Senhora! E por isso termino este artigo com a esperança cristã, citando as palavras do Papa Bento XV, ao terminar seu discurso onde tratou da veste feminina:


“Assim como de um só indivíduo desviado se poderia dizer que foi orientado a um bom caminho pela fidelidade de uma mulher, “pois o marido infiel fica santificado por sua mulher fiel” (1Cor. VII,14), assim possa o mesmo repetir-se a respeito da sociedade atual que voltou ao caminho da salvação graças aos exemplos e aos ensinamentos, em uma palavra, graças à missão da mulher católica”![16]


Mulheres católicas: que não tardemos em responder com o nosso sincero “fiat”!



[1] Quem “a moda atual é de prostitutas” foi dito pelo diretor de marketing de uma grife que vende roupas para prostitutas: “Engana-se quem pensa que o objetivo do site é vender para as prostitutas que navegam pela internet… É um público que nos interessa, sim. Mas hoje em dia vestir Daspu virou ‘cult’, vendemos para mulheres de classe média, profissionais liberais, que têm entre 26 e 45 anos… Afinal, hoje em dia, as patricinhas mesmo se vestem como as prostitutas.” Folha de São Paulo, 9.4.9


[2] Cf. Discurso do Papa Pio XII à Alta Costura


[3] Cf. http://www.annielondonderry.com/womenWheels.html


[4] Pio XII, 10.9.54


[5] S.S Pio XII


[6] S.S. Pio XII Cruzada pela Pureza: “Não temos a intenção de pintar o triste retrato, apenas muito familiar, dos exageros que você percebe sobre si: vestidos que dificilmente são suficientes para cobrir a pessoa, ou outros que parecem concebidos para enfatizar aquilo que deveria esconder; esportes que são realizados com tais vestuários, tanto exibicionismo e em tais companhias que são irreconciliáveis até mesmo com o padrão menos exigente da modéstia; danças, filmes, peças teatrais, publicações, ilustrações, decoração a partir do qual o desejo louco de entretenimento e prazer produz graves perigos.”


[7] S.S. Pio XII

[8] S.S. Pio XII

[9]S.S. Pio XII 

[10] S.S.Pio XII

[11] S. S Pio XII

[12] S.S. Pio XII

[13] S.S.Pio XII

[14]S.S Pio XII

[15] S.S. Bento XV

 

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