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Escrava do mundo ou Escrava de Nossa Senhora

Nossa Senhora

Existe uma virtude que separa de maneira radical aquela mulher que é escrava da moda mundana e aquela que é Escrava de Nossa Senhora: a humildade.

Medita o Padre Stefano no seu belíssimo livro “Um mês com Maria”:

“Quem mais do que Nossa Senhora teria motivos para aparecer? Mas ela é misteriosamente silenciosa e escondida em todo o Evangelho. Nós, cheios de bobagens e ricos de misérias, temos a vontade de aparecer que nos queima. Vermos sacrificados, humilhados e valorizados os nossos talentos, ou ser colocados a parte ou nos poder afirmar… Que tortura e quantos ressentimentos. Mas para sermos humildes, devemos reprimir sem piedade os secretos impulsos e e as venenosas satisfações do orgulho. Assim faziam os santos”.


 A vaidade feminina é um destes secretos impulsos, que nos incentiva a fazer de tudo para aparecer. A própria roupa, que em si mesma foi feita por Deus para velar o corpo, hoje praticamente não se vê. Os trapos que as mulheres usam tem a finalidade explícita de expor a carne e a forma de seus corpos, e como se não bastasse, se acrescenta maquiagem, pintura no cabelo, na unha, salto alto, etc.: tudo para chamar atenção para si mesma.


O oposto de tudo isso é Nossa Senhora. Os insondáveis mistérios de Deus faz com que Ele esconda até dos seus eleitos o Seu plano! Nem Nossa Senhora nem São José sabiam do plano do qual estavam sendo protagonistas. Nosso Senhor foi protegido em sua infância por este humilde casal, até ao ponto de se assustarem quando Jesus começou seu ministério: “Mas não é o filho do carpinteiro… filho de Maria?”


Nestes últimos meses eu tive o privilégio de conhecer duas mulheres muito recatadas, silenciosas e discretas, e no entanto, quão marcantes para a minha caminhada! Sua postura, sua presença, sua maneira de vestir, tudo nela nos leva a uma nobre admiração que não tem nada a ver com a atração vulgar que a mulher mundana quer produzir. Qual o seu segredo? A oração – eis o que as diferenciam de todas as outras.


Qual a raíz desta funesta vaidade que ainda, por não sermos mulheres de oração, ainda tem poder sobre? Qual a raíz desta sede de querer aparecer e de rejeitar tudo aquilo que nos levaria a parecermos mais com Aquela que decidimos ser escravas, Maria Santíssima? Acredito que é a carência. Uma profunda carência, causada pela falta da experiência do amor do Pai.


Quando buscamos ansiosamente os olhares e os elogios das criaturas é sinal de que estamos longe do Amor do Criador. Mendigamos elogios por não termos provado ainda “quão suave é o Senhor” e não termos experimentando a alegria que Ele – aquela que sacia plenamente o nosso coração e que nenhuma criatura é capaz de nos dar.


A cura para a nossa fraqueza, que nos leva a querer sempre aparecer, está em nos deixarmos olhar por Nosso Senhor. Deixar-nos amar por Ele. Deixar que Ele nos revele a nossa autêntica beleza. Deixar que Ele nos conquiste e nos leve ao deserto para nos falar ao coração (Os 2). Eis a experiência que muda toda a nossa vida; eis a experiência que nos faz repugnar qualquer sedução ou olhares do mundo; eis a experiência que nos liberta de nós mesmas e da tirania da moda; eis a experiência que nos faz querer desaparecer, e não aparecer. Esta experiência acontece uma vez e no entanto deve ser alimentada diariamente, pela oração e pelos Sacramentos porque continuamos pó e levamos este tesouro em barro de vaso.


Convido a todas mulheres católicas, neste Mês dedicado aos Sagrados Corações, rezarmos a Ladainha da Humildade. Em cada petição desta oração temos um caminho a ser trilhado. Quando realmente amarmos a discrição, o recato, o silêncio, a oração e termos o desejo ardente de viver a vida escondida em Cristo, então a veste simples será nosso ideal e todas os adornos serão substituídos pela coroa de espinho, a única digna de uma Escrava.


Sim irmãs, nos falta muito para termos a humildade dos santos. Porém, ser Escrava de Maria é o presente que a Imaculada nos deu para perseverarmos e formarmos uma Milícia onde sejamos reconhecidas não pela moda, mas pela modéstia. Pois aquela passa, como a figura deste mundo, mas a modéstia é eterna.


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