Pe. Paulo Ricardo usa batina
20 de agosto de 2016

A modéstia é para mim?

Uma inspirada partilha de uma irmã em Cristo, Rita de Cássia:

“Já conheci meninas que estavam convencidas que a modéstia não era para elas porque não se sentiam “dignas”. Deus nos faz Suas filhas pelo sacramento do batismo, mas vem o diabo e “tira” nossa dignidade de herdeiras do Todo Poderoso com muitos enganos, entre eles com essas afirmações de que para se viver algo “externo” é preciso a “perfeição” interna. De fato, dignidade, nenhuma de nós a tem, os méritos de qualquer ato de virtude vem do próprio Deus e não de nós.

Mas se fôssemos esperar pela “santidade” interna para externalizar algo, então devemos jogar não só nossas roupas modestas, mas todo o nosso ser no lixo. Existe muita gente de boa vontade em inúmeras pastorais e apostolados de ajuda aos necessitados, mas será que todas essas pessoas estão no ápice da virtude infusa da caridade, estão na sétima morada sendo a verdadeira face do “Cristo que vive em mim?”, todas elas são como um São Damião de Molokai? Claro que não. Mas ninguém critica isso e nem diz que para manifestar esse “amor” externo é preciso viver a plenitude dessa virtude interiormente, desapegados de toda e qualquer vaidade e vontade própria, no total desinteresse de si mesmo e vendo com perfeição O Cristo no pobre.

É incrível como só com a modéstia, que também é um ato de amor ao próximo, esses argumentos são usados. Podemos ser farisaicas em tudo, não só na modéstia. Inclusive até usando (em muitos casos) de uma falsa humildade em não querer admitir a modéstia porque “meu interior ainda não é pleno de pureza”. Nosso interior infelizmente pode não ser, mas o exterior pode ser, se apenas isso estiver no nosso alcance ainda. Ora, nossa mãe pode merecer uma casa nova de presente, mas se tudo que podemos oferecer é uma rosa, será que nossa mãe desprezaria? Ou não devemos dar nem a rosa, só porque ainda não alcançamos a graça da perfeição no presente? O triste, é que na falta da modéstia não só deixamos de oferecer a rosa, mas no lugar oferecemos uma ofensa. Será mesmo que isso é ser mais coerente, é ter um “amor” mais sincero?

Rezemos para que aqueles que creem nisso, recebam a mesma misericórdia que O Bom Deus teve para conosco e com nossa miséria!”