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A modéstia e a elegância

Por Andrea Patrícia

“A função da roupa é precisamente ocultar algumas partes do corpo, adornando-o de tal modo que, mesmo que seja “agradável vê-lo”, a atenção não se deixe absorver por ele, mas alcance a própria pessoa. De outra forma, as relações entre as pessoas — so­bretudo entre o homem e a mulher — descem a um nível infra-pessoal, que se poderia definir como “de­sumano”. É evidente que, quando o pudor é ignora­do pela moda, já não se pode falar de elegância. A única palavra que nos resta usar é a contrária: grosseria”.


(Ada Simoncini. O Pudor. Ed. Quadrante)


 


As pessoas perguntam se a modéstia tem a ver com elegância. Sim, tem. Mas nem sempre o modesto é elegante, nem precisa ser. A elegância não é uma necessidade, a modéstia é, pois é virtude.


A palavra “elegância” vem do latim “elegantia” que significa gosto, delicadeza, distinção. No dicionário a elegância é descrita como graça, distinção aliada à simplicidade e à clareza, gosto delicado nos trajes, na fala, na decoração.



Ora, podemos facilmente perceber que sendo assim não é preciso ser elegante para ser modesto. Temos tantos santos que não primaram pela elegância, pelo contrário eram rudes e não possuíam tato ou diplomacia alguma, no entanto são pessoas conhecidas e estimadas pela sua modéstia. Fica mais fácil ainda perceber que é muito mais importante buscar ser modesto, do que buscar ser elegante. Mas não é preciso separar uma coisa da outra necessariamente.



Mas continuemos falando sobre a elegância. Ada Simoncini, autora do livro “O Pudor” faz algumas colocações oportunas sobre o tema, como na citação que abre este artigo. Ela também diz que:



“Quando se subvertem as leis do pudor, o vestuário não faz mais do que atrair a atenção para o que há de menos original e pessoal no corpo humano. Tor­na-se então simplesmente estúpido falar de elegância, de personalidade ou de autênticas relações pessoais. No fundo, ainda que não se queira admiti-lo, todos sabem que é uma hipocrisia falar de beleza ou de ele­gância a propósito de pessoas que passam com toda a sem-cerimônia por cima das leis do pudor.”



Vemos então que existe um abuso da palavra “elegância” por parte de muitos, especialmente por certas pessoas do mundo da moda e das celebridades quando consideram como “elegante”  aquilo que não passa  de vulgaridade. Como pode ser elegante uma mulher que deixa entrever seus seios, seja através de um decote, seja através de uma transparência ou da mostra de seu sutiã? Com pode ser elegante, distinto, uma pessoa expor suas coxas, seja devido a uma roupa curta, seja devido a uma roupa que delineie completamente suas formas? Quando as roupas cobrem apenas um pedaço das partes íntimas – um decote que deixa ver parte dos seios, por exemplo – tornam-se um convite para ver mais. A mente humana, notadamente a masculina, ao ver um pedaço logo busca adivinhar o resto e isso acontece contra a vontade dele; é puramente fisiológico, biológico, é fruto da natureza decaída. Então ao usar uma roupa que insinua as partes sexuais, seja na transparência, seja nos pedacinhos que ficam expostos, a pessoa está agindo de forma até mesmo pior do que se estivesse nua, pois atrai a atenção para que se adivinhe o resto. A mulher que faz isso queira ou não queira, coloca-se numa atitude provocativa, pois o gesto de mostrar pedaços de partes sexuais é um convite ao sexo. Tal mulher torna-se objeto sexual mesmo contra vontade dela. O que há de elegante nisso?



É óbvio que uma roupa que revela mais do que deveria, que faz com que a atenção das pessoas se fixe nas partes do corpo e não em toda a figura como um conjunto, não pode ser elegante, muito menos modesta. É realmente uma tremenda hipocrisia falar de beleza ou de ele­gância a propósito de pessoas que passam com toda a sem-cerimônia por cima das leis do pudor.



Sendo assim, tomar como exemplos de elegância gente que aparece o tempo todo expondo suas formas aos olhos do público sem nenhum pudor é algo contraproducente. Celebridades que vestem as mais vulgares criações estilísticas alimentam a indústria das roupas imodestas e fazem isso quase o tempo todo. Mas o que esperar de gente que perdeu a consciência do certo e do errado, que se guia simplesmente pelo que dita o seu mundinho pervertido? Só podemos esperar que se apresentem de forma imodesta mesmo[1]. Mas porque o seu próprio grupinho os chama de “elegantes”, não quer dizer que realmente o sejam.



A pessoa elegante é simples e não passa por cima do pudor para se mostrar em público, não mostra nem insinua suas partes íntimas, não posa em atitudes sensuais e provocativas. Então é evidente que, quando o pudor é ignora­do pela moda, já não se pode falar de elegância. A única palavra que nos resta usar é a contrária: grosseria.



Portanto ao verem pessoas expostas sem o mínimo pudor, expondo – principalmente quando o fazem propositadamente – sua intimidade através de roupas e posturas, tenham a certeza de que elas podem ser muita coisa, menos elegantes.









[1] Quando fazem o contrário chegam mesmo a ser motivo de admiração por parte de quem se importa realmente com a beleza, com a elegância e a modéstia. É por isso que fico feliz quando encontro alguma dessas pessoas famosas vestida com decência. Fico orando para que um dia passem a se vestir somente assim, pois estão sempre em evidência e expondo-se com verdadeira elegância dão bom exemplo.


 



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