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A modéstia e a castidade

Por Andrea Patrícia e Julie Maria




“Esta segunda virtude, a modéstia – a própria palavra “modéstia” vem de modus, uma medida ou limite – provavelmente exprime melhor a função de governar e dominar as paixões, especialmente as paixões sensuais. É o baluarte natural da castidade. É a sua muralha eficaz, porque seus atos moderados estão estreitamente relacionados com o próprio objeto da castidade.” (Papa Pio XII. Problemas morais em Design de Moda. Discurso dirigido ao Congresso da União Latina de Alta Costura. Em 23 de maio de 1948) 

 


A modéstia é “o baluarte natural da castidade”, segundo o saudoso Papa Pio XII. Se a castidade é algo obrigatório para aqueles que buscam a vida espiritual, então temos que estar atentos à questão da modéstia. 


A modéstia é pudor. Quando somos modestos nos resguardamos das impurezas. Buscando a pureza nos tornamos mais próximos daquilo que Deus quer de nós.
Devemos buscar a virtude da modéstia sempre, em todos os ambientes e situações em nossa vida diária através das palavras, das ações, das vestimentas, dos pensamentos, dos modos. 


O cristão deve ser o sal da terra. E para isso deve saber dar o exemplo. Que exemplo estamos dando aos outros quando nos permitimos certas atitudes impuras, quando damos ouvidos a certas piadas e fofocas, quando deixamos que nossos olhos se maculem ainda mais com certos programas e leituras? 


A virtude da modéstia busca a moderação. Mas moderar não quer dizer se equilibrar entre dois opostos buscando o caminho intermediário. Para sermos realmente moderados devemos buscar o mais alto e não simplesmente nos conformar com o que o mundo oferece como sendo “equilibrado”, razoável. 

 “Os atos moderados [da modéstia] estão estreitamente relacionados com o próprio objeto da castidade”. O que não estiver em conformidade com a castidade não pode ser moderado. Logo, com certas coisas não podemos contemporizar. Busquemos a modéstia sempre, pois ela é a guardiã da castidade.


E o que é a castidade?


 “A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual.”(CIC 2337)


O Catecismo ensina que “todo batizado é chamado à castidade. O cristão “se vestiu de Cristo”, modelo de toda castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo seu específico estado de vida. No momento do Batismo, o cristão se comprometeu a viver sua afetividade na castidade.” (CIC 2348)


A castidade há de distinguir as pessoas de acordo com seus diferentes estados de vida. Existem três formas da virtude da castidade (CIC 2349):


– a primeira, dos esposos (castidade conjugal);


– a segunda, da viuvez;


– a terceira, da virgindade.


A castidade é a forma humana de viver a sexualidade. O Catecismo resume esta verdade assim: “A alternativa é clara ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz.” Isso significa que sem ser casto é impossível ser feliz, viveremos num nível infra-humano, viveremos como bestas.


Mas a proposta do mundo é exatamente esta: viva como besta e seja infeliz! Basta olhar ao nosso redor e descobrir quem, sem viver a castidade, está realmente feliz. A pessoa não está feliz  sem a viver a castidade porque não nascemos para ser escravo de nada, nem dos nossos instintos, nem das outras pessoas, nem das pressões de uma sociedade doente que desconhece quem é o homem, o que seja a sexualidade humana e também o plano de Deus para o homem e a mulher ao se casarem.


Mas por que a castidade é tão mal compreendida e ridicularizada? Porque ela “comporta uma aprendizagem do domínio de si que é uma pedagogia da liberdade humana. A dignidade do homem exige que ele possa agir de acordo com uma opção consciente e livre, isto é, movido e levado por convicção pessoal e não por força de um impulso interno cego ou debaixo de mera coação externa. O homem consegue esta dignidade quando, libertado de todo cativeiro das paixões, caminha para o seu fim pela escolha livre do bem procura eficazmente os meios aptos com diligente aplicação.”


Mas todos reconhecemos que isso não é fácil! Enquanto o mundo proclama a necessidade de sermos escravos e por tanto vivermos como bestas, a castidade exige disciplina, ascética, metas claras e paciência: “O domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida”(CIC 2342)


Frente a isso, vale recordar que até mesmo dentro do matrimônio, caso os esposos não vivam a castidade conjugal, eles podem estar ferindo os votos de se amarem que prometeram no altar.


Ser casto então não é uma “opção” para o católico: é uma exigência do batismo que o chama a amar como Cristo ama: de maneira livre, total, fiel e fecunda. “A virtude da castidade comporta a integridade da pessoa e a integralidade da doação.” CIC 2337


Integridade e doação da pessoa: o que isso quer dizer?


Significa que “a pessoa casta mantém a integridade das forças vitais de amor depositadas nela [e esta]  integridade garante a unidade da pessoa e se opõe a todo comportamento que venha feri-la; não tolera nem a vida dupla nem a linguagem dupla.” CIC 2338


O Papa nas suas catequeses Teologia do Corpo irá explicar isso usando o conceito “linguagem do corpo”: uma pessoa pode estar falando a verdade ou mentindo, dependendo se aquilo que ela expressa com seu corpo é também expressão de todo o seu ser, ou não.


Por exemplo: a relação conjugal no plano de Deus é a expressão do amor livre, total, fiel e fecundo que esposo e esposa se prometeram no altar ao dizer: “eu te recebo como esposo… esposa…” e respondendo “sim” às perguntas que o sacerdote lhes faz. Só neste contexto sacramental “as palavras confirmam a verdade essencial da linguagem do corpo […] cujo autor é o próprio homem […] e o sinal que eles tornam realidade com as palavras do consentimento conjugal não é apenas um sinal imediato e fugaz, mas um sinal que olha em direção ao futuro e produz um efeito duradouro, isto é, a união conjugal, uma e indissolúvel – “todos os dias da minha vida”. (JPII, Audiência 19.01.83)


Por isso, o namoro ou noivado, que por definição são realidades temporárias, não estão capacitados para a doação total que exige o amor entre homem e mulher. Neles:


– não existe compromisso definitivo (o matrimonio é indissolúvel)


– não existe abertura a vida (sempre nestas relações predomina o “usar” o outro que se comprova no uso do contraceptivo: eu te quero… mas não quero tua fecundidade.)


A Igreja pede que os jovens sejam “instruídos convenientemente e a tempo sobre a dignidade, a função e o exercício do amor conjugal, a fim de que, preparados no cultivo da castidade, possam passar, na idade própria, do noivado honesto para as núpcias. E pede aos noivos viver a castidade na continência: “nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade.”(CIC 2350)


Não existe pessoa que, amando de verdade o outro, não gostaria de ser totalmente casta, virgem, pura para o amado (a) no dia em que se unem pelo sacramento matrimonial. O amor verdadeiro exige integridade de corpo e alma, exclusividade e totalidade que o mundo não entende, não suporta e não consegue viver!


Mas nós, filhos de Deus e chamados a imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo ,reconhecemos que a castidade “é também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual [e que] o Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo. (CIC 2345)


Não tenhamos medo de viver a castidade! Não tenhamos medo de nos preparar dignamente para o “sim” definitivo. Escutemos a voz doce do Vigário de Cristo que nos exorta:


“Eu digo-vos: Coragem! Ousai decisões definitivas, porque na verdade são as únicas que não destroem a liberdade, mas lhe criam a justa direção, possibilitando seguir em frente e alcançar algo de grande na vida.”


 
http://juliemaria.wordpress.com/2009/03/23/sei-que-devo-viver-na-castidade-mas-por-que/

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