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Moda de “mostrar” o sutiã?

Por Julie Maria

O adjetivo “íntima” para indicar algumas peças do nosso guarda-roupa merece mais atenção.  Se a moda sempre tenta trazer alguma “novidade” para vender seus lançamentos, existem alguns princípios “eternos” que nunca devem “sair de moda”, para quem põe a virtude da modéstia como prioridade na hora de escolher a roupa. Um desses princípios é este: a roupa íntima deve ficar totalmente velada (nem ela, nem sua marca devem aparecer).

Esse adjetivo para determinadas peças (atualmente sutiã e calcinha para as mulheres e cueca para os homens) indica que essas roupas são inadequadas para serem vistas “por qualquer um”. O que Simoncini (1991, p.12) escreve sobre o valor da intimidade pessoal nos ajuda a entender por que a roupa íntima deve ficar escondida de todos os olhares públicos: “o que é ‘íntimo’ identifica-se com o que é ‘pessoal’. […] Há coisas tão íntimas que, ao tornarem-se públicas, esvaem-se, perdem valor, e a pessoa sente-se de certo modo violentada. É como se uma parte de si mesma de despedaçasse e se perdesse no exato momento em que caiu no domínio público.”[1]

Este ensino é claramente confirmado pelo Catecismo da Igreja quando diz que o pudor “inspira um modo de vestir” e “protesta contra a exploração do corpo humano em função de uma curiosidade doentia (como em certo tipo de publicidade), ou contra a solicitação de certos meios de comunicação ir longe demais na revelação de confidências íntimas.” A roupa íntima modesta simboliza algo daquilo que deve ser protegido pela pessoa, e apenas a virtude do pudor pode inspirar “um modo de viver” de acordo com a pureza e assim permitir às mulheres católicas a “resistirem às solicitações da moda e à pressão das ideologias dominantes”.[2]

A roupa íntima é a peça que deve ficar entre a pele e a roupa da pessoa. Isto é, ela separa o que é visível aos outros, daquilo que deve permanecer velado. A roupa “íntima”  leva esse nome justamente porque revela algo da nossa intimidade: revela partes do nosso corpo que não devem ser mostradas. Aliás, a maioria dos vestidos que são usados hoje serviriam como “roupa íntima”, por cima das quais deveria vir a roupa propriamente dita. Basta olhar as camisolas – de não muitos anos atrás – e percebemos o quanto a intimidade foi violentada.

A “nova moda”, tão mundana e vulgar de mostrar o sutiã, é indigna da mulher.[3] Nota-se uma vulgaridade excessiva nessa “moda” que já invadiu as ruas brasileiras e também nossas paróquias!

No momento em que a mulher está disposta a mostrar uma peça íntima a “qualquer um”, está enviando uma mensagem por sua forma de vestir (ou desnudar): está dizendo que não se preocupa com sua intimidade, que “qualquer um” pode ver aquilo que deveria ser reservado apenas ao seu esposo; está dizendo, enfim, que não se valoriza. Modas que estimulam a mostrar o sutiã, ou qualquer peça de roupa íntima, são modas decadentes que fazem cair em suas armadilhas até mães e avós!

Pelo contrário, a mulher pura deveria tornar realidade as palavras deste esposo: “O respeito pelo segredo da união conjugal, pela profundidade, delicadeza e caráter rotundamente definitivo dessa intimíssima entrega, constitui o pressuposto da pureza. É o respeito que, antes de mais, permite compreender como é pavoroso invadir abusivamente esse campo íntimo, compreender até que ponto há nessa invasão uma profanação e uma degradação de si mesmo e dos outros.” [4]

Redescobrir o valor que temos frente a Deus, frente ao nosso esposo, frente à nossa família, talvez seja um bom começo para não aceitarmos certos modismos lançados por pessoas que, aproveitando-se de sua fama, induzem outros a se rebaixarem. E se a mulher mesma não valorizar sua intimidade, seu tesouro, sua pessoa, como poderá exigir que outros a valorizem ou respeitem?

Que este outro trecho do livro “O pudor” nos inspire a guardar com todo cuidado e zelo a nossa intimidade, e refletir na nossa veste o alto valor que damos a ela:

“Quanto mais rica é uma personalidade mais precisará de privacidade, tanto maior amplidão e valor terá a sua intimidade. São estes os casos em que o senso do pudor é mais forte. As pessoas frívolas, pelo contrário, aquelas que se revelam carentes de uma autêntica vida interior, estão mais inclinadas a tornar pública a sua intimidade. Na sua pobreza moral, consideram-na coisa de pouco valor. Embora sejam egoístas, não se apreciam pelo que valem; não têm escrúpulos em expor-se à curiosidade igualmente frívola daqueles que somente se interessam por assuntos vazios e inconsistentes.” [2]

Diga “não” a modas que são decadentes e passageiras, mas que podem marcar para sempre sua pureza, tão cara a Nosso Senhor!


[1] SIMONCINI, Ada. Pudor. São Paulo: Ed. Quadrante, 1991.

[2] CIC 2523

[3] Não apenas o sutiã, mas a moda mundana atual quer a mulher andando na rua praticamente nua. Não tendo como ser mais indecente, ela insiste em mostrar a calcinha, o sutiã, os seios, a coxa, e todo o corpo. Onde vamos parar?

 

 

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