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Saiba porque a mulher não deve fazer laqueadura

Por Julie Maria nao laqueadura


            Fazer uma laqueadura é uma decisão muito mais séria do que se pensa e será grave a consequência para a mulher não apenas para sua vida aqui, mas para sua alma. A mulher católica que está pensando em fazê-la deve saber o que ensina a Palavra de Deus pois ela é uma batizada e terá que responder como tal. Ser católica é o maior tesouro que uma pessoa pode receber, mas também é uma grande responsabilidade. Por isso, devemos falar esta verdade e não sermos omissas.


            Não desejo sequer imaginar a dolorosa situação que uma mãe está vivendo para chegar a ver nesta decisão uma solução. Muitas devem estar vivendo uma situação limite com os outros filhos (especialmente se eles são pequenos) e com o esposo.


            A maioria das famílias que tem 3, 4 crianças se sentem “no limite” e num mundo barulhento e estressado como o atual facilmente não querem nem pensar em ter mais uma criança. Junta-se a isso uma relação de homem-mulher precária, pois quando não se vive a fé, ou quando ela é fraca, não se tem forças para superar os problemas do dia a dia e estes vão se transformando numa bola de neve.


            Mas ainda assim a solução não é a que parece aos seus olhos: a solução não é fazer laqueadura para ter relações sexuais com a “certeza” de que dali “não nascerá nenhuma criança”. Este pensamento, com um pouco de raciocínio e reta intenção de saber a verdade, cairá por terra e se verá claramente que esta aparente solução vem como uma tentação do pai da mentira, e jamais de Deus, que é o Senhor da vida e Aquele que nos chama ao autodomínio, especialmente no campo tão precioso como o da sexualidade humana.


            Imagina se eu chegar e te disser: “marquei uma cirurgia para você amputar a sua mão amanhã”. Você, que tem a mão sadia, iria me chamar de louca, certo? Pois é exatamente isso que quem está pensando em fazer laqueadura está fazendo contra si mesma: uma loucura, além de ser um pecado mortal pois se está tomando o lugar de Deus, que tira e dá a vida.


            Amputar um órgão que está sadio é loucura, é automutilação e é um ato contra o amor de Deus, que nos criou de modo maravilho e perfeito (Sl 138). Mais loucura ainda quando este órgão não é apenas uma mão (mesmo que nos custe ficar sem ela a mão não tem o poder de gerar vida) mas um órgão que foi criado por Deus para refletir a própria doação de vida. Quem somos nós para nos automutilar, por acaso somos donos da nossa vida? No plano de Deus o ato sexual tem dois fins: unitivo e procriativo e nós não podemos separar ambos de modo arbitrário, por meio de contraceptivos, preservativos ou de modo definitivo com a laqueadura ou vasectomia.


              A nossa inteligência deve servir ao plano divino, e ser usada para conhecer o nosso corpo, seu funcionamento e seus ciclos de modo que toda relação sexual esteja aberta à vida. Mesmo que o casal,  por razões graves use o método natural para espaçar um novo nascimento, eles ainda continuam com a abertura à vida, pois não fizeram nada contra para impedi-la.


Mas em casos extremos a tentação de recorrer a uma mutilação é muito forte. Porém, mesmo que uma mãe estivesse na Índia, passando fome com dois ou mais filhos, a Igreja ainda assim diria: “Filha, entendo tua dor mas não é se automutilando que você solucionará o problema. Aliás, ele provavelmente vai aumentar[1]. Tenha paciência, reze muito a Nossa Senhora e vá aprender o método com as filhas espirituais da Madre Teresa de Calcutá, e desta forma não trairá a vocação que Deus te deu”.


            mae e filhoA Igreja quer o nosso maior bem e isso não teremos sem sacrifício. No caso das mulheres que querem fazer laqueadura o sacrifício implica aprender o método natural de forma correta (com aprendizagem do muco e da temperatura basal) e conversar seriamente com o esposo de forma que ambos vivam a virtude da castidade conjugal. E não é a Igreja que “inventou” esta norma! Ela mesma afirma no documento que fala sobre isso (Humana Vitae) : “A Igreja não foi a autora dessa lei e não pode portanto ser árbitra da mesma; mas, somente depositária e intérprete, sem nunca poder declarar lícito aquilo que não o é, pela sua íntima e imutável oposição ao verdadeiro bem comum do homem.”[2]


            O Catecismo é claro em relação à ligadura de trompa[3]: A regulação da natalidade representa um dos aspectos da paternidade e da maternidade responsáveis. A legitimidade das intenções dos esposos não justifica o recurso a meios moralmente inadmissíveis (por exemplo, a esterilização direta ou a contracepção)” (que inclui o uso das pílulas e preservativos)


            A Igreja está dizendo isso: mesmo que a intenção dos esposos seja legítima[4] ela não justifica a ligadura de trompas nem o uso da pílula. E a Igreja não finge que tudo será fácil. Ela mesmo avisa: “A doutrina da Igreja sobre a regulação dos nascimentos, que promulga a lei divina, parecerá, aos olhos de muitos, de difícil, ou mesmo de impossível atuação. Certamente que, como todas as realidades grandiosas e benéficas, ela exige um empenho sério e muitos esforços, individuais, familiares e sociais. Mais ainda: ela não seria de fato viável sem o auxílio de Deus, que apóia e corrobora a boa vontade dos homens. Mas, para quem refletir bem, não poderá deixar de aparecer como evidente que tais esforços são nobilitantes para o homem e benéficos para a comunidade humana.” [5]


      Para viver isso se necessita uma clara consciência do valor da vida e da família, de esforço (ascese) e oração!:Uma prática honesta da regulação da natalidade exige, acima de tudo, que os esposos adquiram sólidas convicções acerca dos valores da vida e da família e que tendam a alcançar um perfeito domínio de si mesmos.” [6]


            E continua: “O domínio do instinto, mediante a razão e a vontade livre, impõe, indubitavelmente, uma ascese, para que as manifestações afetivas da vida conjugal sejam conformes com a ordem reta e, em particular, concretiza-se essa ascese na observância da continência periódica. Mas, esta disciplina, própria da pureza dos esposos, longe de ser nociva ao amor conjugal, confere-lhe pelo contrário um valor humano bem mais elevado. Requer um esforço contínuo, mas, graças ao seu benéfico influxo, os cônjuges desenvolvem integralmente a sua personalidade, enriquecendo-se de valores espirituais: ela acarreta à vida familiar frutos de serenidade e de paz e facilita a solução de outros problemas; favorece as atenções dos cônjuges, um para com o outro, ajuda-os a extirpar o egoísmo, inimigo do verdadeiro amor e enraíza-os no seu sentido de responsabilidade no cumprimento de seus deveres. Além disso, os pais adquirem com ela a capacidade de uma influência mais profunda e eficaz para educarem os filhos; as crianças e a juventude crescem numa estima exata dos valores humanos e num desenvolvimento sereno e harmônico das suas faculdades espirituais e sensitivas.”[7]


            Esta não é “minha opinião”, é Doutrina da Santa Igreja. É preciso ser católica de verdade, até na hora de fazer uma decisão heróica como esta. É nesta hora que falamos com nossos atos que o nosso amor a Deus é verdadeiro, é real, e que abraçamos a cruz. Existem sérios estudos comprovando que a depressão da mulher que liga as trompas permanece durante a vida inteira e que ela mesma se sente um objeto depois que se automutila.[8] A mulher, por estar às vezes sob forte pressão, não consegue ver todos estes males, mas é preciso que ela seja ajudada e orientada, antes de tomar esta grave decisão de se automutilar.


            Rogo a Nossa Senhora que toda mulher nesta difícil situação tenha a fortaleza de desistir desta loucura que tanto mal fará a ela e a sua alma. E que Jesus tenha misericórdia de todos nós e nos dê força e luz para ver que nenhuma cruz é maior que a alegria que Deus dá ao coração da mãe pelo nascimento de um novo ser!


 







[1] A Igreja, ensinando sobre a moralidade dos métodos contraceptivos (que apesar do seu uso ser considerado pecado mortal, são reversíveis, ao contrário da ligadura que é para sempre), diz: “Considerem, antes de mais nada, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infïdelidade conjugal e à degradação da moralidade. Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens – os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto – precisam de estímulo para serem fiéis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles evitarem a sua observância. É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.”


[2]  “Portanto, se não se quer expor ao arbítrio dos homens a missão de gerar a vida, devem-se reconhecer necessariamente limites intransponíveis no domínio do homem sobre o próprio corpo e as suas funções; limites que a nenhum homem, seja ele simples cidadão privado, ou investido de autoridade, é lícito ultrapassar. E esses mesmos limites não podem ser determinados senão pelo respeito devido à integridade do organismo humano e das suas funções naturais, segundo os princípios acima recordados e segundo a reta inteligência do “princípio de totalidade”.






[3] CIC 2399




[4] Exemplo: numa situação onde no país no qual vive a família esteja acontecendo uma guerra e há fome em toda a região, e por isso a mãe não quer um novo nascimento para não fazer sofrer este filho que nasceria nesta calamidade.




[5] Humanae vitae n.20




[6]  idem




[7]  Humanae vitae n. 21



[8] Testemunho da Sra. Kathleen: I am 61 and had a tubal ligation 30 years ago. I waited 5 years after my second son was born before having it done. I started to regret it two years after and have now gotten to the point where for religious reasons I cannot live with myself. Reversals have come a long way in thirty years and I am considering a tubal reversal if I can find a physician to perform it on someone so old. Do not give up your fertility. It is a gift from God and part of who you are. I had no right to alter a body that was made by God”.



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