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Carta da S.C. do Concílio aos bispos sobre a imodéstia









Carta da Sagrada Congregação do Concílio aos Bispos do mundo [1]


15 de agosto de 1954


(A reforma da moral em ocasião do Ano Mariano)


Ninguém pode ser ignorante do fato que, especialmente durante a estação de Verão, aqui e ali se têm visões que não podem senão ofender os olhos e as almas dos que não consideram de importância secundária, ou que não menosprezam completamente, a virtude cristã e a decência humana. Não só nas praias e em locais de recreação no feriado, mas em quase todos os lugares, até mesmo nas ruas das cidades, nos lugares públicos e privados, e quase até mesmo dentro das igrejas, está sendo difundido um modo de vestuário indigno e inadequado. Para a alma da mocidade, tão inclinada ao mal, há o grande perigo de que este abuso entregue a sua inocência, o mais precioso e mais belo ornamento da alma e do corpo, ao sopro da morte. Os adornos da mulher, se é que podem ser chamados de “adornos” esses modos de vestuário, “se é que pode ser chamado de vestuário o que não protege nem o corpo nem a modéstia”[2], às vezes são tais  que parecem encorajar a lascívia em vez da modéstia.


Nós alcançamos o ponto onde tudo o que acontece na vida pública e na vida privada, se é depravado e indecente, é publicado descaradamente em jornais, revistas e periódicos de todo tipo. Nos cinemas, frequentados por toda a parte como eles são, estas coisas são exibidas ante os olhos de todos, de forma que não só a juventude fraca e irrefletida, mas até mesmo pessoas de idade madura, permanecem profundamente afetadas por esses espetáculos imorais, tão trágicos para os espíritos saudáveis. Não podem ser conhecidos quantos males derivam disso, nem a que perigos a moralidade de todos está exposta. Consequentemente é necessário, por um lado, lançar uma verdadeira luz sobre isso e exortar todos à beleza da modéstia, e por outro lado, impedir e prevenir, tanto quanto possível, tudo que incite ao mal; e, finalmente, é necessário, até mesmo com severidade, conduzir o mundo de volta ao caminho da virtude. O maior dos oradores romanos, de fato, disse: “Frequentemente nós vemos homens que não podiam ser superados por nada, mas que cederam ante as tentações da impureza.”[3] Esse é obviamente um problema muito sério, que não só afeta a virtude cristã, mas a saúde, também, do corpo e o vigor do desenvolvimento da sociedade humana. Um antigo poeta poderia afirmar justamente: “A nudez do corpo praticada pelos homens é o começo da dissolução.”[4]


Portanto pode ser visto facilmente que este problema não é de interesse somente da Igreja, mas também daqueles que governam, já que deveria ser seu desejo buscar remover o que pode debilitar e quebrar a força do corpo e o entusiasmo para a virtude.


“Vós, acima de tudo, a quem o Espírito Santo deu poder como Bispos, para reger a Igreja de Deus”[5], vós, Bispos, tendes que considerar cuidadosamente este tipo de assunto, tomar sob vossos cuidados e promover com todo vosso poder toda iniciativa para proteger a modéstia e restabelecer a moralidade cristã. “Nós somos templos de Deus, pela presença e ação do Espírito Santo em nós; e a guardiã, a sacerdotisa deste templo é a modéstia, que não permite que nada impuro ou vulgar entre por medo que Deus, que mora dentro, o abandone, ofendido por esta habitação manchada pelo pecado.”[6] Agora, como todos podem ver facilmente, o modo atual de vestuário entre mulheres, e especialmente entre as meninas, constitui uma ofensa séria contra a decência, e decência é “a companheira da modéstia, em cuja companhia a própria castidade está mais segura”[7]. Então é completamente imperativo prevenir e exortar, do modo que pareça mais hábil, pessoas de todas as situações, mas particularmente a juventude, a ficar livre dos perigos desse tipo de vício que é, sem dúvida, diretamente oposto e potencialmente tão perigoso aos cristãos e à virtude cívica, deixando-os disponíveis para maiores perigos. “Quão bela é a modéstia e que pedra preciosa ela é entre as virtudes!”[8] Então cuidemos para não pecar contra ela ou manchá-la, deixando-nos ser atraídos pelos vícios que surgem com a moda, ou por outros instrumentos de sedução que nós mencionamos acima e aos quais as pessoas decentes podem apenas lamentar.


Fonte: Papal Teaching, The Woman in the Modern Word, St. Paul Editions (1958)


Tradução não oficial de Andrea Patrícia e revisão de Mario Cesar







[1] Papal Teaching, The Woman in the Modern Word, St. Paul Editions (1958)


[2] Sêneca, De Bem, 7, 9


[3] Cícero, Tusc., 2, 21.


[4] Ennius, Apud Cic. Tusc, 4, 33


[5] Atos, 20, 28.


[6] Tertuliano, De Cultu fern., 2, 1; P.L. 1, 1316.


[7] Santo Ambrósio, De Off., 1, 20; P.L. 16, 48


[8] São Bernardo, Serm. 86 in Cant.; M. L. 183


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