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Feminismo e Feminilidade por Alice Von Alice von Hildebrand

Fonte: Zenit

Alice von Hildebrand, autora de “O Privilégio de Ser uma Mulher” (Sapientia) e ela mesma uma filósofa, falou de como cada mulher pode encontrar força sobrenatural naquilo que o feminismo considera sua fraqueza e vê em Maria modelo da perfeita feminilidade. Von Hildebrand obteve seu doutorado de filosofia na Universidade de Fordham e é professora emérita de Hunter College da Universidade da Cidade de Nova York.



Pergunta: O que a inspirou a escrever este livro?



Von Hildebrand: O veneno do secularismo penetrou profundamente em nossa sociedade. Ele o fez por etapas. Os homens foram suas primeiras vítimas. Eles se tornaram mais e mais convencidos de que a fim de ser alguém tinham que ser bem sucedidos no mundo. Sucesso significa dinheiro, poder, fama , reconhecimento, criatividade, inventividade, etc.



Muitos deles sacrificaram as vidas das suas famílias a fim de atingir essa meta. Eles voltavam para casa apenas para descansar ou se divertir. O trabalho era a parte séria da sua vida.



Inumeráveis casamentos foram arruinados por esta atitude. As esposas com razão se sentiram como meros acessórios – um mero meio de relaxamento dos maridos. Os maridos tinham pouco tempo para trocar carinhos, pois estavam muito ocupados. Os filhos se encontravam muito pouco com os pais. O sofrimento das esposas não era apenas compreensível, mas legítimo.



Pergunta: Por que as mulheres devem ser convencidas de que é bom ser uma mulher?



Von Hildebrand: O mais surpreendente é que o feminismo, ao invés de tornar as mulheres mais profundamente cientes da beleza e dignidade do seu papel como esposas e mães, e a força espiritual que elas podem exercitar sobre seus maridos,  convenceu-as que elas, também, tinham que adotar a mentalidade secularizante. Elas também deveriam entrar na força do trabalho; deveriam provar também a elas mesmas que podiam conseguir diplomas, competir com os homens no mercado de trabalho, mostrando que eram iguais e – em dadas oportunidades – poderiam os suplantar.




Elas se deixaram convencer que a feminilidade significava fragilidade. Elas começaram a desprezar as virtudes – tais como paciência, negação de si, doação, ternura – e procuraram se tornar iguais aos homens em tudo. Algumas delas até se convenceram que deveriam usar linguagens ríspidas a fim de mostrar ao sexo “forte” que elas não eram fracas, delicadas, bonecas insignificantes que os homens acreditavam que fossem.




Instaurou-se a guerra dos sexos. Aquelas que foram apanhadas nas armadilhas do feminismo queriam se tornar iguais aos homens em todas as coisas e venderam a sua maternidade por uma confusão de caldo grosso. Elas se tornaram cegas ao fato de que os homens e as mulheres, embora iguais na dignidade ontológica, foram feitos diferentes por escolha de Deus: homem e mulher os fez. Diferente e complementar.



Cada sexo possui suas forças; cada sexo possui suas fraquezas. De acordo com o plano admirável de Deus, o marido deve auxiliar a esposa a superar estas fraquezas de modo que todos os tesouros da sua feminilidade floresça, e vice-versa.



Quantos homens se tornam realmente “eles mesmos” graças a suas esposas. Quantas esposas são transformadas pela força e coragem de seus maridos.



A tragédia do mundo em que vivemos é que nós nos tornamos apóstatas. Muitos abandonaram os tesouros a nos dados pela revelação – o sobrenatural.



O pecado original foi essencialmente um ataque à hierarquia de valores: o homem quis se tornar como Deus, sem Deus. A punição foi terrível: o corpo do homem se revoltou contra a sua alma. Hoje, esta reversão da hierarquia de valores vai tão longe que Peter Singer nega a superioridade do homem sobre animais, e os bebês baleias são salvos enquanto os bebês humanos são assassinados.



Tudo está desordenado: casamentos acabam; muitos nem pensam em se casar; relacionamentos duram apenas o tempo de satisfação mútua. Relações não-naturais tão severamente condenadas pelo Platão estão em moda e reivindicam ser reconhecidas no mesmo nível daquelas ordenadas por Deus.



Pergunta: Como aquilo que é visto como fraqueza da mulher pode ser visto como uma fonte de poder?



Von Hildebrand: Considerado de um ponto de vista naturalista, os homens são mais fortes: não apenas porque são mais forte fisicamente, mas também porque são mais criativos, inventivos e produtivos – a maioria dos grandes trabalhos em teologia, filosofia e belas artes foi feita pelos homens. Eles são os grandes engenheiros, grandes arquitetos.




Mas a mensagem Cristã é que, quão valiosas todas essas invenções, são pós e cinzas comparadas a cada ato de virtude. Pois uma mulher é pela sua própria natureza maternal – pois cada mulher, casada ou não, é chamada a ser uma mãe biológica, psicológica ou espiritual – ela sabe intuitivamente que dar, nutrir, cuidar dos outros, sofrer com e por eles – pois maternidade implica sofrer – é infinitamente mais valioso aos olhos de Deus que conquistar nações e voar para a lua.




Quando lemos a vida de Sta. Teresa d’Ávila ou Sta. Teresinha de Lisieux, somos tocadas pelo fato de elas se referirem constantemente à sua “fraqueza”. As vidas destas mulheres heróicas, associadas à uma confiança incondicional no amor e poder de Deus, conferiram a estas almas privilegiadas uma força que é tão magnífica por ser sobrenatural.



A força natural não compete com a força sobrenatural. É por isso que Maria, a bem-aventurada, é “poderosa como um exército pronto para a batalha”. E, no entanto, Ela é chamada “clemens, pia, dulcis Virgo Maria”.



Esta força sobrenatural explica – conforme mencionado por Dom Prosper Gueranger no “Ano Litúrgico” – que o demônio teme esta humilde virgem mais que Deus porque sua força sobrenatural que esmaga a sua cabeça é mais humilhante para ele que o poder de Deus.



É por esta razão que o Satanás hoje lança o pior ataque sobre a feminilidade de que se tem lugar na história do mundo. Pois se aproximando do fim dos tempos, e sabendo que a sua derrota final está se aproximando, ele redobra seus esforços para atacar sua grande inimiga: a mulher. Lemos em Gênesis 3:15: “Porei inimizade entre ti e a mulher”. A vitória final é dela, como vista na mulher coroada com o sol.



Pergunta: Por que a senhora acha que as mulheres possuem força moral?



Von Hildebrand: A missão das mulheres hoje é de crucial importância. De algum modo, elas possuem a chave da sanidade – primeiro passo para uma conversão. Pois a sobrenaturalidade é baseada na natureza, e a menos que voltemos à sanidade natural, a sublimidade da mensagem sobrenatural será perdida para a maioria de nós.



Por que elas possuem a chave? Porque sua influência sobre os homens é enorme quando elas compreendem verdadeiramente seu papel e missão. Mais e mais ouço os sacerdotes dizerem que devem sua vocação a suas avós ou mães.



Sta. Mônica, em colaboração com Deus trouxe de volta seu filho para o caminho de Deus. A mãe de S. Bernardo, a mãe de S. Francisco de Sales – que era apenas quinze anos mais velha que ele – e a mãe de S. João Bosco foram fatores-chave no caminho espiritual da santidade de todos eles.



Pergunta: De que modo Maria é modelo de feminilidade?



Von Hildebrand: As mulheres possuem a chave porque são guardiãs da pureza. Isto é claramente indicada pela estrutura de seus corpos, que castamente oculta seus órgãos íntimos. Porque seus órgãos são “veladas”, indicando seu mistério e santidade, as mulheres têm o imenso privilégio de partilhar o sexo da bem-aventurada: Maria, a m,ais santa de todas as criaturas.



O feminismo se iniciou nos países Protestantes, pois a razão principal é que eles voltaras às costas a Mãe de Cristo, como se o Salvador do mundo sentisse despojado da honra dada à Sua Mãe amada.



Maria – tão gloriosamente descrita no Apocalipse – é o modelo de mulher. É no voltar-se para Ela, orando para Ela e contemplando Suas virtudes que as mulheres encontrarão seu caminho de volta à beleza e dignidade da sua missão.



Pergunta: Como a elaboração deste livro contribuiu para o aumento da sua apreciação em ser uma mulher?



Von Hildebrand: Escrever este livro foi um privilégio. Deu-me a oportunidade única de meditar sobre a grandeza da missão da mulher, seguindo os passos da Virgem Santa.



Maria nos ensinou duas regras para se alcançar a santidade. A primeira é: “Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1:38). Isto indica que a missão da mulher é deixar se fecundar pela graça – receptividade santa. A segunda é: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2:5).



Este é o plano santo que a Igreja nos oferece. Sem dúvida, se as mulheres entendessem esta mensagem, o casamento, a família e a Igreja superariam a terrível crise que nos afeta. Conforme diz a liturgia, “Deus colocou a salvação nas mãos de uma mulher”.

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