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Ser dona de casa: uma missão

Dia 29 de Julho celebramos a festa de Santa Marta, padroeira das donas de casa. Mais do que nunca precisamos de sua intercessão! Muitas mulheres não querem ser donas de sua casa. Estou generalizando, porque estou falando aqui do que é proclamado na mídia como modelo a seguir. Estou falando das consequências de uma revolução que quis “libertar” a mulher e a fez mais escrava ainda. Estou falando de uma dura realidade que temos que enfrentar se é que queremos viver numa civilização cristã novamente.


As feministas – ou quase feministas – ao ler isso se levantam indignadas: “como pode alguém, em pleno século XXI, ter a ousadia de dizer que a mulher deve ser dona de casa?” A verdade é que quando a mulher – esposa e mãe – não é dona de sua casa, alguém de fora se torna dona e quem perde é toda a sociedade. Pois é fato incontestável que a melhor contribuição que se pode fazer à sociedade é dar-lhes cidadãos honestos, maduros, cientes dos seus deveres e direitos; mais ainda, é dar-lhes santos homens e mulheres, pois se alguns homens públicos mudam o mundo nos campos político e social, os santos transformam gerações.


Mas para uma idéia tão antiga e tão nova – mulheres donas de casa! – reconheço que é preciso explicar o porquê de tal “volta no tempo”:


O problema, na sua raiz, não  é que a mulher não possa ou deva trabalhar fora. O problema é  que quando não existem mais mulheres que queiram ser donas de suas casas passa a existir uma geração de lares sem alma, esposos solitários e crianças confusas que nunca. E parece que ao tentar encontrar os culpados desta situação não se tem coragem de falar a verdade: falta a mãe presente em casa e falta pai como chefe da família.


No caso da mulher, o mundo do trabalho em geral, com todas as suas conhecidas exigências, vai tornando endurecido o seu coração, e as primeiras vítimas a sofrer com isso são seus filhos. As mães passam a ter mais dificuldade de estar em comunhão com os seus filhos. De passar horas, dias, anos ao seu lado. Não digo dar de comer, dar banho e colocar para dormir. Eu sei que babá faz isso muito bem. E uma das experiências mais lindas que tive foi viver com uma família e ser babá por um ano de seus três filhos. Estou dizendo que as mulheres que trabalham fora têm cada vez mais dificuldades de querer – e amar –  e-s-t-a-r com os seus filhos. Eu vejo isso. Infelizmente não estou falando de teorias.


O que direi agora é um tema para ser desenvolvido melhor. Mas a idéia central é esta:


O campo laboral se fundamenta em três critérios que o dom da maternidade desconhece:





  1. Horário a ser cumprido

  2. Ganho salarial[1]

  3. Competição



Ser dona de casa não significa, em primeiro ligar, lavar, passar e cozinhar. Isso de fato ficou bem mais fácil hoje devido às comodidades modernas e em geral, quase qualquer um pode fazer este serviço. Mas ser dona de casa é antes de tudo querer estar em casa, cuidando e educando os filhos, e à espera do esposo que volta do trabalho. Sim. A casa pode ser cuidada por outra. Os filhos e o esposo não. Por isso, os critérios que a mulher deve enfrentar trabalhando fora, geralmente (dependerá de qual trabalho ela faça) se contrapõem aos critérios e valores que ela vive como mãe:




– A mãe não tem horário – especialmente quando os filhos são pequenos. Ela está para servir e se doar completamente a eles. Ela não conhece o que é “bater o ponto?”. Ela não conhece o que significa “hora extra”. Ela não espera o fim de semana para “estar livre”.


– A mãe não é mãe por dinheiro; assim como nenhum dinheiro do mundo “pagaria” o que ela faz[2], ela faz por amor.


– A mãe não conhece competição. Para os seus filhos, nenhuma mãe é melhor que aquela que ele tem, e para os outros… o que importa os outros?


Por tudo isso, antes de gloriar-nos por termos mulheres como açougueiras deveríamos reconhecer as trágicas conseqüências que os lares vazios está deixando nesta geração. A mulher que trabalha fora corre o perigo – pela lógica natural do campo laboral – de perder a ternura, a paciência, a delicadeza, e gradativamente tem mais dificuldade para se entregar aos filhos como uma mãe –  que ama ser mãe –  sabe. A mãe quando trabalha fora pode estar algumas horas com seus filhos, mas geralmente está com sua cabeça (e seu coração) nos seus negócios, nos seus compromissos fora de casa, e isso vai gerando uma divisão no seu ser. E a grande questão é que a criança, mesmo sem “entender” nada de tudo isso, sabe que sua mamãe não está “só para ela”… parece sentir a ansiedade, a angústia, as preocupações que a mãe sente devido ao seu trabalho fora de casa.


A análise do Bispo Fulton Sheen é esclarecedora:


“A mulher moderna foi igualada ao homem, mas sem que isso lhe trouxesse a felicidade. Foi ‘emancipada’ como uma flor pode ser ‘emancipada’ das suas raízes, como um pêndulo que, retirado do relógio, perde, por este fato, o seu movimento próprio. Em seus esforços para a igualdade matemática, a mulher rebaixou-se de duas maneiras: tornou-se vítima do homem e vítima da máquina. Vítima do homem por se transformar em instrumento do seu prazer e por prover às suas necessidades, através de uma estéril troca de egoísmos. Vitima da maquina, por subordinar o principio criador da vida à produção de coisas mortas – o que constitui a própria essência do comunismo.




Que nisto não se veja a condenação da mulher como profissional, porque o problema não esta em sabermos se a mulher consegue obter as boas graças do homem, mas se pode satisfazer os instintos primordiais da sua natureza feminina. O problema está em sabermos se determinadas qualidades oferecidas por Deus à mulher, qualidades que lhe são especificas, encontram a sua exata e plena expressão. Essas qualidades – como sejam, a dedicação, o sacrifício, o amor – não se exprimem necessariamente numa família, ou menos num convento. Podem encontrar maneira de manifestar-se no mundo social, nos cuidados a prestas a doentes, a pobres, a ignorantes – em todas as sete obras de misericórdia corporais. Diz-se, por vezes, que a mulher que trabalha fora de casa é dura. Pode isso ser verdade, em certos casos, mas não se deve esta dureza à profissão: deve-se, sim, à circunstancia de, pela sua profissão, se manter afastada dos seres humanos, para os quais o seu coração naturalmente a inclina, e sem os quais ele não se dá por satisfeito. Podemos admitir que a revolta contra a moralidade e a exaltação dos prazeres sensuais, como finalidade da vida, se devam à perda da realização espiritual da existência. Assim frustradas e desiludidas, tais almas fatigam-se da vida, tornam-se cínicas, e até podem ser levadas ao suicídio.


A solução para este problema da mulher está num retorno à concepção cristã, na qual se dá importância, não à igualdade, mas à equidade. A igualdade é a lei: é matemática, abstrata, universal, indiferente às contingências, às diferenças, às circunstâncias. A equidade é o amor, a misericórdia, a compressão, a simpatia. … A equidade vai mais longe do que a igualdade, reclamando a superioridade em certos aspectos da vida. A equidade não substitui a igualdade –  aperfeiçoa-a. Tem a vantagem de reconhecer a diferença específica entre o homem e a mulher, o que a igualdade não faz. De fato, homem e mulher são absolutamente desiguais, no que respeita ao sexo, e, porque o são, é que se complementam. Cada um deles tem sobre o outro uma superioridade de função. Homem e mulher são iguais, no sentido de terem os mesmos direitos e as mesmas liberdades, o mesmo alvo final de vida e a mesma redenção pelo sangue do Nosso Divino Salvador.”[3]


Finalmente, este pequeno texto é para animar, encorajar, estimular as mulheres que sentem o profundo desejo de ser dona de casa, de cuidar dos seus filhos, de esperar o seu esposo a voltar do trabalho – e  podem fazê-lo – , mas que recebem críticas e são marginalizadas justamente por uma decisão tão plena de sentido! Enquanto não reconhecemos o valor da mulher como esposa e mãe, ainda que estejamos na “pós-modernidade”, no fundo estamos com a mentalidade de antes da idade da pedra!


Santa Marta, ora pro nobis!








[1] A Igreja quer proteger a célula mãe da sociedade quando pede que os Estados valorizem financeiramente a mãe que escolhe ficar trabalhando em casa. Porque os Estados modernos, tão “avançados” não conseguem dar esta justa remuneração para a mulher dona de casa?

[2] Repito o que disse acima: isso não quer dizer que o Estado deveria dar sim uma ajuda para a mulher que é dona de casa. Lógico que não pagaria o seu trabalho – que em última instância é doação e amor -, mas ajudaria nas despesas que toda casa tem, afinal ela faz o trabalho mais importante que todos: educar os futuros cidadãos.




[3]Fulton Sheen, O Primeiro Amor, Ed. Educacional Porto, p. 225-227

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