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O que eu devo aprender com Santa Zélia

O que eu devo aprender com a Santa Zélia – parte I[1]

Por Julie Maria

santazelia

Uma foto vale que mil imagens. Isso é mais válido ainda para os santos. Vendo a postura da Santa Zélia percebemos como perdemos o rumo do que significa ser uma autêntica mãe católica[2]. Raramente vemos uma mãe cristã se comportar, vestir, andar e educar como uma mãe santa. Parece que na época de maior evolução tecnológica a tarefa mais básica da mulher –educar um filho – ficou totalmente confusa e se tornou uma incógnita, inclusive para mim.

Preguei sobre a família por 10 anos como missionária leiga. Desde o ano 2000 estudo a Doutrina da Igreja a respeito da família. Fui secretária particular do Prof. Humberto Vieira, Fundador da Associação Pro-Vida, falecido recentemente. Aprendi a catequese papal “Teologia do Corpo” com um dos professores mais renomados, no “Immerse Course on TOB” na Filadélfia com Christopher West. Terminei meu mestrado em “Ciências da Família” no Instituto JPII e ainda tive ainda o privilégio de ser babá de 4 famílias norte americanas, e entre todas, uma delas marcou profundamente a minha vida: nela vi a lei natural em todo o seu esplendor. Durante todos estes anos vislumbrei quão grande é o projeto de Deus para a família, mas, depois de tudo isso, o que eu sabia sobre “educação de filhos” na prática? Quase nada.

Foi somente quando tive minha filha e pela primeira vez tive a responsabilidade de formá-la que ficou patente o meu despreparo para tal missão. A teoria sabia de cor, mas… como passar da teoria para a prática? Como educar “aqui e agora” sem os costumeiros sermões? Faltava algo que o estudo, por si mesmo, não dá: faltava a vida virtuosa.

A base da educaçã o de um ser humano, como nos tem repetitido o Padre Paulo Ricardo, é que o educador seja virtuoso, tenha auto-domínio e não apenas “saiba” o que ensinar mas primeiro viva o que irá ensinar. Não é questão de ser perfeito mas sim já estar num caminho de perfeição[3], pois não se dá aquilo que não se tem. Para quem duvida desta necessidade, indico os livros do Monsenhor Álvaro Negromonte.

Faltava – e falta – para mim esta vida virtuosa e logo me vi incapacitada para algo que me superava e no entanto ardia no meu coração como um clareza incontestável: formar um santo é minha missão como mãe. Sim, este é o resumo da missão maternal: devemos educar nossos filhos para a santidade, para que vivendo no mundo não se prenda a ele mas saibam voar até o céu, a sua pátria definitiva.

No dia 18 de Outubro de 2015 vivemos um acontecimento histórico: foram canonizados São Luís e Santa Zélia, o primeiro casal que tiveram seus processos de canonização realizados conjuntamente. Isto é, os PAIS dos 9 filhos – entre eles a florzinha mimosa do Carmelo, Santa e Doutora da Igreja Teresinha do Menino Jesus – nos é proposto como modelo de família que soube educar os filhos para o céu.

Como mulher, mãe e educadora a minha pergunta é muito simples: o que tenho a aprender com Santa Zélia?  Foi no momento de maior necessidade na educação da minha filha que Nossa Senhora veio em meu auxílio trazendo a vida e a amizade da Santa Zélia. Apesar de uma irmã ter me comentado dele em 2007 sobre o livro “História de uma Família” só fui tê-lo em mãos em 2010.

Este livro relata a vida da família de Santa Teresinha e junto com dois outros livros que também falam sobre a vida desta santa, formaram uma pequena biblioteca sobre “educação na prática” que muito me faltava. Porém, nada do que aprendi no livro podia ter o efeito na minha alma que Deus queria se não fosse a vivência, por alguns meses, com uma família que já estava no caminho da virtude e foi para mim uma aula constante sobre como educar a minha filha.

É maravilhoso ler que a Igreja nos pede sermos uma “Ecclesia doméstica”, mas o que isso significa na prática? Foi a Santa Zélia, compartilhando as dores e alegrias de sua vida por meio de suas cartas, que me iniciou nessa Escola de Santidade “na prática”. Ainda falta a virtude, mas descobri depois de muito sofrer que esta depende mais da entrega filial do que de um esforço meramente humano. É nisso que estou trabalhando agora: em me esforçar muito para aprender a me abandonar em Deus, tal como a Doutora da Infância Espiritual ensina.

Convido você, cara mãe católica, permitir ser instruída por esta Mãe. Entregue seus filhos a ela. Não percamos tempo e como mães sábias tomemos sua educação como nosso modelo a partir de hoje. Que todas as nossas misérias e erros passados sejam purificados no Martírio Materno cotidiano, ao doarmos nossa vida por nossos filhos, rogando-lhe uma chuva de rosas para alcançarmos o céu, onde esta heróica Mãe, com sua família, já habita. Amém.

[1] Na medida do possível irei compartilhando o que aprendi e aprendo com esta santa Mãe  e Educadora.

[2] O livro da convertida ao Catolicismo Genevieve Kineke é um bom início.

[3] Indico o excelente Curso “Caminho de Perfeição” com Padre Paulo Ricardo.

 

 

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