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19 anos: casar ou começar a faculdade?


                                                       22 de Maio de 2015, Festa de Santa Rita de Cássia




Por Julie Maria




Este artigo é o primeiro de uma série sobre uma reflexão, sobre a minha experiência aos 19 anos, 19 anos depois. Não desejo portanto afirmar com ele que todas as moças de 19 anos estariam preparadas para o casamento ou que nenhuma moça deve cursar uma faculdade. Relatando minha experiência, desejo sim suscitar um autêntico debate sobre o tipo de educação que estamos oferecendo para nossas filhas como mães católicas.




Com 19 anos eu tive, em tese, a possibilidade de escolher entre me casar com meu namorado ou começar a faculdade. Havia 3 anos que estávamos juntos, um longo namoro à distância que, sem a existência da internet, gerava mais ou menos uma carta de no mínimo 7 folhas por semana, escrita por cada um e ansiosamente esperada pelos dois durante os 3 anos. Os casais que hoje namoram à distância tem a facilidade da comunicação digital, mas não tem a encantadora beleza das cartas… Tão especiais se comparadas com os atuais e apressados e-mails e whatssapp.




Mas, se em tese eu tinha esta possibilidade, na prática eu não a tinha. Simplesmente jamais, aos 19 anos, passou pela minha cabeça que eu poderia escolher me casar. Lembro como se fosse hoje, eu sentada com meu pai no sofá, lendo o “Manual das Profissões”… uma por uma para escolher qual faculdade eu iria fazer. Entre as opções, casar estava totalmente fora de cogitação. Não foi mencionado nem pensado por mim ou pelos meus pais.




Já se passaram quase 20 anos. Muita coisa mudou e hoje escolheria, sem dúvida, me casar (e sim, não fazer faculdade). Se você, ao ler esta minha decisão pensou, em um milésimo de segundo, “mas… se casar tão nova?” é sinal de que a ideologia feminista está impregnada em você. Sim, ela é uma doença moral que desvirtua a nossa consciência “para pensar como ela” – e não como Deus – quer. Segundo o Cardeal Burke o feminismo radical assaltou a Igreja e a sociedade desde os anos ‘60 fazendo grandes estragos.[1]




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Dois trechos na Sagrada Escritura resumem a vocação feminina:




I – "Salvabitur autem per filiorum generationem si permanserint in fide et dilectione et sanctificatione cum sobrietate"




([A mulher] Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação"). 1Tim 2, 15




II- “Anus similiter in habitu sancto non criminatrices non vino multo servientes bene docentes ut prudentiam doceant adulescentulas ut viros suos ament filios diligant prudentes castas domus curam habentes benignas subditas suis viris ut non blasphemetur verbum Dei.”




(Assim, também as mulheres de mais idade mostrem no seu exterior uma compostura santa, não sejam maldizentes nem intemperantes, mas mestras de bons conselhos. Que saibam ensinar as jovens a amarem seus maridos, a quererem bem seus filhos, a serem prudentes, castas, cuidadosas da casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não seja desacreditada.”) Tt 2, 3-5




Tendo este plano divino no nosso coração e com o dado da biologia de que o pico de fertilidade feminina é aos 25 anos, à qual conclusão lógica chegaremos? Que aos 19 anos (e até antes disso) a moça católica está numa idade apropriada para casar-se, começar sua família, para que aos 30 anos possa estar colhendo os frutos plantado há uma década. Mas para isso ela deverá ter sido bem preparada.




Se nossas filhas estivessem recebendo uma educação adequada existiria certa proporção entre a sua maturidade física e sua maturidade moral, isto é, ainda jovens elas já teriam adquirido as virtudes necessárias para que possam ser esposa e mãe. O Direito Canônico no Cân. 1083 diz que “o homem antes de dezesseis anos completos de idade e a mulher antes de catorze anos também completos não podem contrair matrimônio válido”. É a sabedoria da Santa Igreja nos indicando este limite e ao mesmo tempo abrindo nossos olhos para entender que depois dos 14 anos a moça já deveria focar sua formação para abraçar num futuro próximo sua vocação, contrariamente do que ocorre hoje, quando mulheres e homens perto dos 30 anos ainda postergam o matrimônio.




 Minha tese é que a culpada das mulheres católicas estarem seguindo cegamente a cartilha feminista – como eu segui, sem conhecer sequer o nome desta ideologia – não é a malícia, mas a ignorância: elas desconhecem a plenitude da vocação à qual Deus lhes chama. Somado a isso temos a presença no centro da sala dos lares brasileiros, não a imagem de Nossa Senhora, mas a TV que, com suas pornográficas novelas e baixíssimos programas, reina dia e noite com a cartilha da ideologia feminista.




Estamos em um mundo onde até a revista “Grandes Empresas e Pequenos Negócios” traz, todos os meses, alguma tirada feminista[2]. Estamos vivendo numa sociedade tão afastada de Deus que nem mesmo a maioria dos sacerdotes prega sobre a vocação da mulher tal como está na Sagrada Escritura. O Padre Daniel Pinheiro, pároco em Brasília, é uma exceção ao afirmar em um púlpito que “o feminismo quer igualar a mulher ao homem, como se a mulher tivesse dignidade somente ao fazer o que faz o homem. Ora, isso é justamente a destruição da mulher e daquilo que a mulher tem de próprio, sua feminilidade”.[3]




Enfim, estamos sobrevivendo num mundo onde a virgindade, fidelidade no matrimônio e a família numerosa são tidos como “coisas de outro planeta” e onde casais católicos mutilam o dom de sua fertilidade voluntariamente (usando preservativos ou pílulas) e querem ter “o direito” de comungar. Sim, o ar que respiramos está infectado desta ideologia.




Somos uma geração que, salvo raríssimas exceções, não escutou dos lábios das mães a beleza do dom da maternidade, ou a verdade de que a realização feminina não passa, em primeiro lugar, por um diploma ou concurso mas pela formação de uma Ecclesia Domestica[4]. Como resumiu tão sabiamente uma amiga: “não fomos educadas para sermos mães mas, infelizmente, profissionais”.




Porém, como sempre acontece na História, uma hora a farsa acaba e a derrota da ideologia feminista já começou. Ainda que no campo da literatura (ou melhor dito, da “auto-ajuda) surjam livros reivindicando o velho apelo feminista – como o da Sheryl Sandberg, Chefe Executiva do Facebook[5] – no terreno dos corações a guerra está sendo ganha por Nosso Senhor e por Sua Santa e Imaculada Mãe.




Sim, escondido como uma semente que ninguém vê e que jamais sairá nas capas dos jornais, nasce uma nova geração de mulheres católicas que está redescobrindo – por pura misericórdia divina – a alegria de viverem em plenitude sua vocação tal como Deus a planejou. Estas mulheres começaram a ter seus filhos jovens, algumas antes dos 20 anos, e elas tem plena convicção de que não estão perdendo nada ao não cursarem uma faculdade. Elas escolheram usar sabiamente suas faculdades morais, psicológicas e físicas para serem a Rainha do Lar, Esposa e a Mãe que Deus as chama.




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Estas jovens mulheres são luzes na escuridão. Elas são o sal que salgam. Elas são as felizes mártires da maternidade do nosso século. Elas dão à luz e querem dedicar todos os seus anos para educar os filhos que geraram ou que Deus as confiou. Elas priorizam suas famílias e sabem que sua recompensa está no céu. Bendito seja Deus por estas mães!




Não é fácil nadar contra a corrente, porém é necessário se quisermos entrar na porta estreita. Segundo as sábias palavras do Papa Bento XVI, “na nossa época, o preço que deve ser pago pela fidelidade ao Evangelho já não é ser enforcado, afogado e esquartejado, mas muitas vezes significa ser indicado como irrelevante, ridicularizado ou ser motivo de paródia.”[6]




Já existem milhares de mulheres divididas entre “trabalho e casa”. Precisamos mais do que nunca de mulheres dedicadas totalmente, inteiramente, apaixonadamente, pela árdua e divina vocação de Mãe e Educadora de seus filhos.




Se você é uma menina católica e tem 10, 15, 17 anos, não perca mais tempo: faça um bom discernimento vocacional (no próximo artigo falarei sobre isso) e descubra para qual estado de vida Deus te chama. Este não é o momento de “curtir” a vida, como se fôssemos pagãos, mas uma época preciosa para você aproveitar e se formar para viver plenamente a vocação que Deus lhe deu: Mãe de uma família ou Mãe espiritual (como celibatária, leiga consagrada ou irmã religiosa).




Quando eu olho para trás e vejo que minha decisão teria sido diferente, por ter tido a graça de conhecer pessoalmente Nosso Senhor Jesus Cristo, eu tenho duas opções: ficar me lamentando ou posso aproveitar meus erros e quedas para ajudar a que outras meninas não cometam os mesmos erros e possam, na flor da juventude, estar prontas para dizerem Fiat para a vocação maternal que, se vivida plenamente, lhes tornará santas[7]. Eu escolhi a segunda opção. E você?




 




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[1] http://www.newemangelization.com/uncategorized/cardinal-raymond-leo-burke-on-the-catholic-man-crisis-and-what-to-do-about-it/




 

[2] Eu não leio esta revista pois este não é meu campo de interesse, mas um de seus leitores assíduos me comenta sobre a necessidade que os editores têm de colocar algum artigo ou frase feminista, todos os meses.




 

[3] Graças ao Bom Deus as homilias do Padre Daniel podem ser lidas na internet, acessando este link:http://missatridentinaembrasilia.org/ Para ler o artigo que ele fala sobre o feminismo: http://modaemodestia.com.br/feminilidade/sermao-inimigos-da-familia  Para escutar uma excelente aula do Padre Paulo Ricardo sobre o feminismo https://padrepauloricardo.org/episodios/feminismo-o-maior-inimigo-das-mulheres




 

[4] Igreja Doméstica: belíssimo título que o CVII dá, seguindo a Tradição da Santa Igreja, à família católica. No CIC §1656 lemos: “Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante. Por isso, o Concílio Vaticano II chama a família, usando uma antiga expressão, de "Ecclesia domestica". É no seio da família que os pais são "para os filhos, pela palavra e pelo exemplo… os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada".”




 

[5] Quando o livro foi lançado fiz apenas a leitura dinâmica do livro e já encontrei tanta incoerência que me gerou enorme compaixão de sua autora.




 

[6] http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2010/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20100918_veglia-card-newman.html






[7] Entre as santas mães, indico o estudo da vida de Santa Gianna, mártir da maternidade, que deu a vida pela sua quarta filha; e Beata Zélia (http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/2008/ns_lit_doc_20081019_martin-guerin_po.html), exímia educadora, mãe de 9 filhos (4 morreram ainda bebês), cuja última filha é a Doutora da Igreja, Santa Teresinha. Entre os livros recomendo http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/2010/11/historia-de-uma-familia.html e http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/2011/09/santa-teresa-do-menino-jesus-e-da.html


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